Delcy Rodríguez em 2020: “Não temos um segundo de respiro” diante das intenções de Trump contra a Venezuela

Alerta contra desestabilização

Em dezembro de 2020, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Delcy Rodríguez, então vice-presidenta da Venezuela e hoje mandatária interina, já expressava profunda preocupação com as ações do governo de Donald Trump. Ela descreveu um cenário de constante pressão, afirmando: “Nós não temos um segundo de respiro. Não sabemos o que Trump pode fazer antes de deixar o mandato. Nós não podemos descansar e não descansaremos um minuto quando se trata da defesa do povo venezuelano”.

As declarações de Rodríguez ocorreram após a vitória expressiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas eleições para a Assembleia Nacional. No entanto, o governo bolivariano mantinha-se em estado de alerta, antecipando possíveis ações agressivas por parte dos Estados Unidos. O próprio presidente Nicolás Maduro já havia mencionado a necessidade de alterar locais de votação para se precaver de atentados, evidenciando a tensão da época.

Lei Antibloqueio como estratégia de defesa econômica

Naquele ano, Rodríguez, que também chefiava o Ministério de Economia e Finanças, foi peça-chave na aprovação da Lei Antibloqueio. O objetivo principal da legislação era reaquecer a economia venezuelana, oferecendo incentivos fiscais e segurança jurídica para atrair investimentos estrangeiros. Ela destacou que a perseguição a empresários por parte dos EUA era um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico do país.

A lei visava proteger os investimentos contra a pressão de órgãos americanos como o Tesouro, a OFAC e o Departamento de Estado, que frequentemente contatavam empresas interessadas em negociar com a Venezuela. Paralelamente, a Venezuela buscava fortalecer laços com outras potências, como China, Rússia e Irã, como parte de sua estratégia de “diplomacia bolivariana de paz” e na busca por um mundo multipolar.

Críticas a intervenções e busca por autonomia

Rodríguez também relembrou a saída da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2019, classificando o então secretário-geral da entidade, Luis Almagro, como um “criminoso selvagem” que supostamente planejava a invasão do país. A Venezuela intensificava sua atuação na ONU e buscava a formação de blocos contra-hegemônicos para defender a Carta das Nações Unidas.

A mandatária demonstrou otimismo com um cenário regional em transformação, com a ascensão de governos progressistas na América do Sul. Ela criticou abertamente líderes como Jair Bolsonaro e Mauricio Macri, comparando-os a “franquias” e “papagaios” de Donald Trump, e sinalizando um anseio por uma América Latina mais autônoma e integrada, alinhada à visão da “Pátria Grande” e distanciada da Doutrina Monroe.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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