Mossad recruta Mahmoud Ahmadinejad para derrubar governo iraniano em plano secreto que falhou, revela NYT

Plano secreto de Israel para instalar Ahmadinejad como líder do Irã fracassou

Agentes do serviço de inteligência de Israel, o Mossad, tentaram recrutar o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, conhecido por sua retórica anti-Israel, com o objetivo de derrubar o atual governo do Irã e colocá-lo no poder. No entanto, o plano, detalhado em reportagem do New York Times, não obteve sucesso.

Segundo quatro altos funcionários iranianos citados pelo jornal, durante os primeiros dias da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, um ataque aéreo israelense atingiu o complexo onde Ahmadinejad se encontrava. O alvo principal teria sido o prédio de seus seguranças e seu veículo blindado.

Após a ofensiva, um carro preto conduzido por agentes do Mossad teria resgatado o ex-presidente e o levado para um local secreto. Contudo, Ahmadinejad demonstrou contrariedade com a operação de resgate e aparente desilusão com a estratégia israelense de restaurá-lo ao poder, de acordo com fontes próximas ao ocorrido.

Ahmadinejad sob custódia e reviravolta nas relações diplomáticas

Mahmoud Ahmadinejad não era visto em público desde o incidente até sua aparição no funeral do líder supremo Ali Khamenei em 6 de julho. Quatro altos funcionários iranianos revelaram ao NYT que o ex-presidente estaria sob custódia da inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, em prisão domiciliar, após o Irã descobrir grande parte de suas interações com Israel.

Autoridades israelenses não comentaram oficialmente sobre o plano, que fazia parte de uma estratégia mais ampla de mudança de regime. Tamir Hayman, ex-chefe de inteligência das Forças de Defesa de Israel, mencionou em maio que Ahmadinejad era parte de uma “sequência de operações especiais” planejadas.

A aliança de Israel com Ahmadinejad representa uma reviravolta significativa, considerando suas posições históricas em defesa do programa nuclear iraniano e suas críticas às políticas sionistas.

Contatos secretos e o papel da Hungria no plano do Mossad

Não há uma data exata para o início das tentativas de recrutamento por parte de agentes israelenses. Funcionários iranianos apontam que houve contatos durante uma viagem de Ahmadinejad à Guatemala em 2023 para uma conferência ambiental. O convite partiu do governo guatemalteco, país com laços diplomáticos estreitos com Israel.

No início de 2024, um funcionário do governo húngaro informou ao reitor da Universidade de Serviço Público Ludovika, em Budapeste, Gergely Deli, que a instituição deveria organizar uma conferência sobre mudanças climáticas e convidar o ex-presidente iraniano. Segundo o jornal, o funcionário teria revelado que a conferência servia como fachada para conversas secretas entre Ahmadinejad e agentes de inteligência israelenses na capital húngara.

Ahmadinejad visitou a universidade em 2024 e novamente em 2025, como parte de um esforço israelense para prepará-lo como um potencial líder do Irã. Ex-funcionários americanos informaram que o então chefe da espionagem israelense, David Barnea, viajou a Budapeste em 2024 para se encontrar pessoalmente com Ahmadinejad e notificou a CIA sobre o contato.

Pagamentos secretos e desaparecimentos de Ahmadinejad

A Hungria, sob o governo de Viktor Orbán, mantinha laços estreitos com Israel, com viagens frequentes entre os líderes Benjamin Netanyahu e Orbán. Netanyahu chegou a discursar na Universidade Ludovika em abril de 2025.

Relatos de autoridades americanas indicam que Tel Aviv pagou secretamente Ahmadinejad nos últimos anos para cobrir despesas de viagem e hospedagem, e que agentes israelenses se reuniram com ele no exterior em diversas ocasiões, incluindo suas visitas a Budapeste.

De acordo com o NYT, seguranças iranianos que acompanhavam Ahmadinejad em viagens internacionais relataram que, em pelo menos duas ocasiões em junho de 2025, ele conseguiu se desvencilhar da equipe de segurança para reuniões prolongadas. Ao ser confrontado, Ahmadinejad teria alegado estar se encontrando com professores universitários, conforme relatado por membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um oficial de inteligência.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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