Manifestação contra ofensiva dos EUA à Venezuela em Porto Alegre é reprimida pela Brigada Militar

Repressão policial marca protesto em frente ao consulado dos EUA em Porto Alegre

Um ato em frente ao consulado dos Estados Unidos, em Porto Alegre, reuniu centenas de manifestantes na tarde desta segunda-feira (5) em repúdio à ofensiva norte-americana contra a Venezuela e em apoio ao povo venezuelano. O protesto, que contou com a participação de militantes de movimentos sociais, estudantis, entidades sindicais e parlamentares, integra uma agenda internacional de manifestações.

A manifestação iniciou de forma pacífica, mas foi interrompida pela ação da tropa de choque da Brigada Militar. Segundo relatos de participantes, a polícia avançou após pichações no muro do consulado. Uma mulher e um homem foram detidos e encaminhados ao 11º batalhão para assinatura de termo circunstanciado por pichação. Outra manifestante teria sofrido fratura no braço e foi levada ao Hospital Cristo Redentor.

Defesa da soberania latino-americana e críticas ao imperialismo

A dirigente da CSP-Conlutas, Rejane Oliveira, denunciou o que chamou de caráter imperialista da ofensiva norte-americana. “Nós não aceitamos este ataque imperialista de Trump à Venezuela. Ele não tem nenhum interesse em combater o narcotráfico, tanto que ele acabou de anistiar o ex-presidente de Honduras, que foi acusado e sofre uma penalidade de 45 anos de prisão”, afirmou Oliveira, ressaltando que o interesse dos EUA estaria ligado aos recursos naturais venezuelanos, como o petróleo.

Ítalo Guerreiro, coordenador-geral do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos em Educação (Assufrgs), destacou o duplo caráter do ato: repúdio às ações do governo Trump e solidariedade ao povo venezuelano. Ele criticou a escalada de ações que se assemelham a um ato de guerra, como o sequestro de embarcações petrolíferas e do presidente venezuelano, considerando a ofensiva inaceitável do ponto de vista da soberania nacional e autodeterminação dos povos.

Preocupação com intervenção e interesses econômicos

Maristela Piedade, também coordenadora-geral da Assufrgs, expressou preocupação com a intervenção e reforçou a solidariedade ao povo venezuelano, defendendo a autodeterminação dos povos. Ela apontou os interesses econômicos por trás da ofensiva, mencionando o saque ao petróleo e minerais venezuelanos como objetivo do governo Trump.

O deputado estadual Adão Pretto Filho (PT) classificou a ação norte-americana como um golpe e alertou para o risco de uma possível terceira guerra mundial. Gabriela Severo, dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reafirmou o compromisso com a luta contra o imperialismo e a defesa da soberania da Venezuela e da América Latina.

Estudantes e movimentos reforçam vigilância e defesa da soberania

Niara Dy Luz, coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufrgs, considerou a ofensiva uma afronta e uma ameaça à América Latina. Ela ressaltou a necessidade de vigilância constante diante de ações que visam interesses geopolíticos, como a disputa por terras raras, e defendeu que o Brasil e outros países latino-americanos devem resolver seus próprios problemas internamente.

Luz também denunciou a violência da Brigada Militar durante a manifestação, classificando a ação como truculenta e injustificada, o que, segundo ela, reflete uma realidade recorrente nas periferias de Porto Alegre. O ato pacífico, segundo os organizadores, pedia a intervenção da polícia no momento em que se preparavam para iniciar um jogral.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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