Venezuela Resiste a Ataque dos EUA: Governo Constitucional Segue Firme com Apoio Cívico-Militar

Unidade Nacional Garante Continuidade do Governo Bolivariano

Após um ataque militar perpetrado pelos Estados Unidos, o governo constitucional da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, demonstrou resiliência. Fontes do governo Trump, que chegaram a cogitar a intervenção direta e a indicação de nomes para um governo de transição, incluindo figuras como Marco Rubio e John Ratcliffe, parecem ter subestimado a capacidade de reação das instituições venezuelanas.

Em um cenário marcado por uma avalanche de desinformação e teorias conspiratórias, a realidade apresentada pelas instituições do Estado venezuelano contrasta com as narrativas externas. O sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, seguido de sua exibição como prêmio de guerra, não resultou na desestabilização do governo. Ao contrário, a unidade cívico-militar, pilar do regime bolivariano, mostrou-se fortalecida.

Tribunal Supremo de Justiça Garante Ordem Constitucional

Na esfera civil, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), em sua Sala Constitucional, agiu rapidamente. Em pronunciamento conjunto transmitido pela televisão, a Corte interpretou artigos cruciais da Constituição e da Lei Orgânica do TSJ, declarando o país sob uma situação excepcional de força maior. Diante do sequestro do presidente, o TSJ determinou que a vice-presidenta, Delcy Rodríguez, assumisse interinamente a Presidência da República, garantindo a continuidade administrativa e a defesa nacional.

Forças Armadas Reafirmam Lealdade e Defesa da Soberania

No âmbito militar, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) manifestou apoio incondicional ao comando civil. Em documento assinado pelo General em Chefe, Vladímir Padrino López, a FANB rejeitou veementemente o sequestro do presidente Maduro e declarou obediência à ordem do TSJ, reconhecendo Delcy Rodríguez como encarregada da Presidência. López anunciou o respaldo ao Decreto de Estado de Comoção Exterior e a ativação da fusão popular militar policial para enfrentar a agressão, unindo forças para assegurar a liberdade e a soberania da nação.

População Manifesta Apoio e Resistência ao Imperialismo

Em resposta à agressão, a população venezuelana saiu às ruas em massa. Na Avenida Urdaneta, próximo ao Palácio Miraflores, foi instalada uma “tribuna anti-imperialista”, demonstrando a rejeição a tentativas de minar o moral da Revolução Bolivariana. Atendendo a chamados de lideranças políticas, os cidadãos reivindicam pacificamente a liberdade do presidente Maduro e sua esposa, evidenciando a legitimidade política interna do governo e a coesão social e militar.

Motivações Estratégicas por Trás da Agressão

A análise das causas para a invasão aponta para interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos. A urgência na apropriação das vastas reservas de petróleo venezuelano, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, surge como principal motivação, superando alegações de narcotráfico ou defesa da democracia. Transnacionais e Wall Street seriam beneficiadas pela valorização de ações no complexo industrial militar e petroleiro.

Uma segunda razão crucial reside no temor dos EUA em relação ao fortalecimento do convênio China-Venezuela, previsto para 2026. Este acordo amplia a cooperação em exploração de recursos naturais, como gás, petróleo e minerais raros, além de consolidar a influência chinesa na América Latina através da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) e investimentos mútuos.

A terceira causa possui um caráter simbólico e de advertência. A escolha da data de 3 de janeiro remete à intervenção dos EUA no Panamá em 1985, com a captura do presidente Manuel Noriega. O objetivo seria enviar uma mensagem clara aos demais governos latino-americanos: subordinação aos EUA ou enfrentamento de um destino similar ao venezuelano, com especial atenção a México, Colômbia e Brasil.

Um Chamado à Nova Ordem Mundial Multipolar

A violência e ilegalidade dos atos contra a Venezuela podem, paradoxalmente, expor a fragilidade do imperialismo estadunidense diante da emergente ordem multipolar. A guerra, no sistema capitalista, tem o lucro como objetivo principal, mas também a garantia das relações de poder que sustentam esses lucros. Nesse contexto de incerteza e risco de novos ataques, o apoio concreto dos BRICS ao governo constitucional venezuelano é fundamental. É preciso ir além de declarações formais e afirmar uma nova ordem mundial baseada no respeito à soberania, autodeterminação, transferência de tecnologia sem condicionalidades, financiamento ao desenvolvimento e cooperação internacional para a paz.

O posicionamento firme em defesa da soberania venezuelana e o apoio a uma diplomacia ativa por parte do Brasil são essenciais para a emergência dessa nova ordem multipolar. O ataque à Venezuela pode acelerar essa transição. Com uma resposta internacional contundente e a coesão interna venezuelana, é possível enfraquecer o imperialismo estadunidense, abrindo um horizonte de paz para os povos e afastando riscos à soberania e democracia brasileiras.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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