Tratado Global dos Oceanos: Geógrafo celebra marco histórico para a proteção marinha, mas alerta para ausências cruciais

Marco Histórico para a Biodiversidade Marinha

Após mais de 20 anos de negociações, o Tratado Global dos Oceanos, também conhecido como Tratado do Alto Mar, entrou em vigor. O documento histórico tem como objetivo principal assegurar a proteção e o uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas que se encontram fora das jurisdições nacionais dos países. Essa iniciativa abrange, na prática, metade das áreas oceânicas do planeta, que antes de sua implementação estavam desprotegidas.

O que Muda com o Novo Tratado?

Antes da assinatura deste acordo, todas as áreas oceânicas localizadas a mais de 370 quilômetros das costas dos países permaneciam sem regulamentação específica. Com a entrada em vigor do tratado, passam a valer medidas de curto e longo prazo focadas na contenção da crise climática e na proteção dos ecossistemas marinhos. O instrumento permitirá o monitoramento das águas oceânicas, com cada país signatário desenvolvendo mecanismos de precaução a serem seguidos por embarcações em águas internacionais.

Um Grito de Comemoração em Meio a Desafios

Wagner Ribeiro, geógrafo e professor da pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), ressalta a importância de celebrar este avanço, especialmente no atual contexto internacional. “Temos que comemorar. Nessa conjuntura onde o multilateralismo está sendo atacado fortemente, ter um documento como esse aprovado e implementado é algo muito expressivo. É preciso comemorar a vitória política de fazer esse documento entrar em vigor”, afirmou Ribeiro em entrevista ao jornal Conexão BdF.

Preocupação com a Ausência de Grandes Potências

Apesar do otimismo, o geógrafo aponta uma grande preocupação: a ausência de assinaturas de países relevantes no cenário marítimo global. Índia, Reino Unido, Rússia e, notavelmente, os Estados Unidos, não assinaram o acordo. “Isso gera muita preocupação, pois é um país que tem um peso político importante. Eles estão dizendo: ‘Não vamos seguir essas normas, isso não vai nos afetar’. Isso é preocupante, porque é um país que movimenta muitos navios, de guerra e comerciais”, alertou Ribeiro. A falta de adesão dessas nações pode comprometer a eficácia global das medidas de proteção e uso sustentável dos oceanos.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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