Proatividade na Luta por Direitos
Às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, a cantora Raquel Virgínia propõe uma abordagem proativa na luta por respeito e inclusão. Em entrevista ao jornal Conexão BdF, a artista, ex-integrante do grupo As Baías e pioneira em indicações ao Grammy Latino como mulher trans negra, defende que a data seja utilizada para apresentar as diversas produções e talentos da comunidade trans, em vez de se limitar a reações a discursos de ódio e provocações.
Valorização das Produções Trans
“A gente precisa colocar os nossos tons, as nossas tonalidades, nosso jeito, colocar nossas pautas sem necessariamente ser uma resposta reativa a tudo que nos provocam e a tudo que as pessoas tentam nos reduzir”, afirmou Virgínia. Ela enfatiza que o Dia da Visibilidade Trans é uma oportunidade valiosa para que o público conheça os projetos e o trabalho desenvolvido por pessoas transgênero. “O Dia da Visibilidade Trans não necessariamente é um dia de denúncia, de apontar o ódio. O Dia da Visibilidade Trans é o dia que temos a oportunidade de fazer com que as pessoas conheçam os projetos, os fazeres. A gente tem muita gente incrível, que vem desenvolvendo projetos maravilhosos, que precisam ser evidenciados”, avaliou.
Nhaí: Espaço para Inovação e Diversidade
Como fundadora da agência Nhaí, Raquel Virgínia trabalha para criar oportunidades de inovação em pautas de diversidade e inclusão. A agência tem como objetivo oferecer um espaço onde a sociedade possa conhecer e se engajar com os projetos promovidos por pessoas trans. Virgínia ressalta a importância de construir narrativas próprias e dar luz aos trabalhos da comunidade. “Não que você não possa fazer críticas, não que você não possa analisar o trabalho e o projeto de outras pessoas. Podemos e até devemos, sobretudo quando estamos falando de verba pública, de grupos que impactam a sociedade. Ao mesmo tempo, é muito importante, para o que a gente considera fundamental, a gente também crie nossos próprios projetos, construa nossas próprias narrativas”, explicou.
Vencendo o Discurso de Ódio pela Visibilidade
A cantora conclui que o caminho para combater o discurso de ódio é através da evidência e do reconhecimento do que as pessoas trans produzem. “É uma oportunidade de a gente colocar luz e holofotes em cima de projetos de pessoas trans. É para além de colocar luz em pessoas, em indivíduos. Mais importante que isso, é conseguir mostrar o que essas pessoas promovem. Só assim a gente vai conseguir vencer esse discurso de ódio”, finalizou.
Para acompanhar as entrevistas e debates sobre o tema, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições diárias, de segunda a sexta-feira, às 12h e às 17h, na Rádio Brasil de Fato (98.9 FM na Grande São Paulo), com transmissão simultânea pelo canal do Brasil de Fato no YouTube.
Fonte: www.brasildefato.com.br
