Série de Óbitos Abala Rede Pública de Saúde no DF
O Distrito Federal tem sido palco de uma série de mortes chocantes em unidades de saúde pública, levantando sérias preocupações sobre a qualidade e a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. Em menos de um mês, seis óbitos foram registrados em diferentes hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), desencadeando investigações administrativas e policiais e expondo um quadro de sucateamento e negligência.
Casos de Parto e Extubação Acidental: Tragédias em Samambaia e Planaltina
Em Samambaia, duas mortes no Hospital Regional (HR) durante o parto trouxeram dor e revolta às famílias. Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, faleceu após um parto normal, onde, segundo a família, a placenta teria sido esquecida e sua remoção tardia causou hemorragia fatal. Quatro dias depois, Maria Graciana Andrade Alves, 36, também morreu em circunstâncias semelhantes, com a família alegando que o parto normal foi insistido mesmo contra a vontade da paciente e sem condições adequadas. Em Planaltina, uma bebê de 5 meses morreu em decorrência de uma extubação acidental durante transferência entre hospitais, um caso que a Secretaria de Saúde diz estar apurando.
Longas Esperas e Falta de Atendimento: Vítimas na Recepção e na Calçada
A falta de atendimento rápido e a superlotação parecem ter cobrado seu preço. Vilmar Pereira da Silva, 49, morreu na recepção da UPA do Recanto das Emas em 20 de junho, após esperar por pelo menos quatro horas. A Polícia Civil investiga possível omissão de socorro. No Plano Piloto, Rodrigo Resende Prado, 46, faleceu na calçada do Hospital de Base após chegar com intensa falta de ar. Familiares relatam que o atendimento só ocorreu após o homem perder a consciência. Em ambos os casos, o Iges-DF, responsável pelas unidades, instaurou procedimentos para apurar as circunstâncias.
Déficit de Profissionais e Sobrecarga: O Alerta do Conselho de Medicina
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) tem recebido relatos constantes de superlotação e falta de médicos nas unidades de saúde. O órgão defende que a solução passa pela contratação efetiva de profissionais e a reestruturação das carreiras, criticando medidas paliativas como contratos temporários. Segundo o CRM-DF, as UPAs, sobrecarregadas, deixaram de ser apenas suporte rápido e passaram a reter pacientes por longos períodos, evidenciando a saturação da rede hospitalar.
Saúde: O Principal Problema do DF Segundo Moradores
Uma pesquisa realizada pelo Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF) em abril de 2025 reforça o cenário de insatisfação popular com a saúde. Cerca de metade dos entrevistados apontou a saúde como o principal problema do DF. As críticas mais frequentes incluem mau atendimento, filas em prontos-socorros, falta de médicos, demora no tratamento e má gestão. Nas UPAs, o tempo de espera é o principal ponto negativo, enquanto nos hospitais públicos, filas para emergências, consultas e cirurgias dominam as reclamações, com os hospitais públicos apresentando os piores índices de avaliação geral.
Fonte: www.brasildefato.com.br
