Descoberta Revolucionária no Saara
Um fragmento de Marte, conhecido como “Black Beauty” (NWA 7034), encontrado no deserto do Saara, está reescrevendo a história do Planeta Vermelho. Análises recentes, utilizando uma inovadora técnica de tomografia não destrutiva, revelaram uma quantidade surpreendente de água antiga, preservada em sua estrutura mineral há cerca de 4,4 bilhões de anos. Essa descoberta, publicada no servidor de pré-prints arXiv, sugere que o Marte primitivo era significativamente mais úmido e potencialmente mais habitável do que se imaginava.
A Tecnologia por Trás da Descoberta
O “Black Beauty” é o meteorito marciano mais antigo já identificado, com aproximadamente 320 gramas e originário de um impacto que o lançou ao espaço há milhões de anos. Embora a presença de água em sua composição já fosse conhecida desde 2013, sua distribuição interna permanecia um mistério, exigindo métodos destrutivos. A nova abordagem combinou tomografia por raios X e por nêutrons, permitindo mapear a presença de hidrogênio e oxigênio sem danificar a rocha. Essa técnica, análoga à tomografia médica, foi capaz de “enxergar” o interior de materiais densos, identificando a água aprisionada em minúsculos aglomerados chamados clastos.
Água Preservada em Minerais
A análise de um fragmento minúsculo do “Black Beauty” revelou que a água não está livre, mas sim quimicamente ligada à estrutura dos minerais, principalmente na forma de grupos hidroxila. Esses grupos, compostos por oxigênio e hidrogênio, estão concentrados em clastos de oxihidróxidos de ferro, minerais semelhantes à ferrugem. Embora esses clastos representem apenas cerca de 0,4% do volume analisado, eles contêm aproximadamente 11% de toda a água presente na amostra. No total, a água compõe cerca de 0,6% da massa do meteorito, uma concentração considerada elevada para padrões marcianos.
Implicações para a Habitabilidade Marciana
A descoberta de água em clastos formados na crosta mais antiga de Marte sugere a existência de reservatórios estáveis capazes de reter água por bilhões de anos. Os autores descrevem esses locais como “um grande reservatório mineral de água” na crosta primitiva marciana. Essa constatação corrobora dados recentes do rover Perseverance, que identificou minerais hidratados semelhantes na cratera Jezero. A semelhança reforça a ideia de que a água era um componente comum e disseminado no Marte primitivo, não se limitando a locais isolados, mas atuando na dinâmica global do planeta e aumentando significativamente as chances de que ele tenha abrigado vida.
Fonte: super.abril.com.br
