Melatonina: Um Perigo Oculto por Trás da Solução Rápida para Insônia
A melatonina, amplamente disponível em comprimidos, gotas e gomas, tornou-se a queridinha de quem busca alívio imediato para noites mal dormidas. Contudo, a aparente inofensividade do produto esconde uma realidade preocupante. Um estudo recente, apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA), sugere que o uso prolongado deste neuro-hormônio pode estar associado a um aumento alarmante de 90% no risco de desenvolver insuficiência cardíaca.
Neuro-Hormônio, Não Apenas Suplemento: Os Riscos do Uso Indiscriminado
Apesar de constar nos rótulos como suplemento alimentar – uma classificação autorizada pela Anvisa em 2021 –, a melatonina é, na verdade, um neuro-hormônio com funções complexas no organismo. Ela regula o ciclo sono-vigília, mas também possui ações antioxidantes, anti-inflamatórias e imunomediadoras. O uso sem acompanhamento médico e a superação da dose segura de 0,21 mg estabelecida pela Anvisa podem desencadear uma série de problemas, interferindo diretamente na fisiologia humana.
Estudo Alerta para Complicações Cardíacas e Outros Riscos
A pesquisa preliminar, que analisou mais de 130 mil prontuários, comparou usuários de melatonina por pelo menos um ano com um grupo controle. Os resultados indicam que os usuários de melatonina apresentaram 90% mais chances de desenvolver insuficiência cardíaca, um risco 250% maior de serem hospitalizados pela condição e o dobro de probabilidade de morte por qualquer causa. Embora os dados ainda precisem de revisão por pares, a forte associação observada já é motivo de alerta para médicos e pacientes.
Alternativas Seguras e Eficazes para um Sono Reparador
Diante dos riscos, especialistas reforçam a importância de buscar soluções seguras para a insônia. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada o tratamento padrão-ouro, atuando em pensamentos e comportamentos que perpetuam o problema. A higiene do sono, que envolve desde evitar luzes artificiais à noite até a prática regular de exercícios físicos pela manhã ou tarde e uma alimentação leve, também se mostra eficaz. Em casos específicos, como distúrbios de ritmo circadiano, a melatonina pode ser indicada por um profissional, mas nunca como uma solução generalizada para a insônia.
Fonte: super.abril.com.br
