As Joias Raras do Gelo: Conheça a Origem Única das Pedras de Curling Olímpicas

O Coração da “Bocha no Gelo”

O curling, esporte olímpico que cativa pela estratégia e precisão, tem como protagonista um objeto singular: a pedra de curling. Com cerca de 18 quilos, formato circular e uma alça, essa peça é fundamental para o desenrolar do jogo. Lançada sobre uma pista de gelo em direção a um alvo chamado “casa”, o objetivo é posicionar as pedras o mais próximo possível do centro. Ao final de cada rodada, a equipe com mais pedras mais próximas do centro marca pontos, em um jogo que remonta ao século XVI na Escócia.

Um Recurso Geológico Exclusivo

O que torna as pedras de curling ainda mais especiais é a sua origem restrita. Oficialmente, elas são extraídas de apenas dois locais no planeta: a ilha de Ailsa Craig, na Escócia, e uma pedreira em Trefor, no País de Gales. Nos Jogos Olímpicos de Inverno, a vasta maioria das pedras utilizadas provém do granito de Ailsa Craig, uma rocha formada há aproximadamente 60 milhões de anos, durante a separação dos continentes europeu e norte-americano. Essa formação geológica resultou em um material extremamente compacto e estável, ideal para garantir a previsibilidade do movimento sobre o gelo.

Ailsa Craig: Santuário e Legado

A extração do granito em Ailsa Craig, principal fonte das pedras olímpicas, enfrenta hoje severas restrições. A ilha, que já foi um importante centro de extração, transformou-se em um santuário natural para aves marinhas, o que levou à proibição do uso de explosivos, técnica comum em pedreiras para a retirada de grandes blocos. Consequentemente, a extração de novas pedras praticamente cessou. As peças utilizadas atualmente são provenientes de estoques antigos, extraídos antes da proibição, ou de unidades mais antigas que passam por um processo de repolimento e reutilização, capazes de servir por décadas.

Ciência e Artesanato em Cada Lançamento

A pedra de curling é composta por duas partes distintas, cada uma feita de um tipo específico de granito para otimizar seu desempenho. A base, que entra em contato direto com o gelo, é geralmente feita do granito “azul de Ailsa Craig”. Seus grãos minerais pequenos e bem distribuídos garantem um desgaste uniforme e a baixa absorção de água, prevenindo rachaduras pelo congelamento. A lateral da pedra, projetada para resistir a impactos com outras peças, utiliza um granito mais resistente, o “verde comum”. A fabricação é um processo minucioso, quase artesanal, a cargo da empresa escocesa Kays of Scotland. Cada pedra é esculpida, polida e testada individualmente, resultando em um equipamento de alto custo – cerca de US$ 600 – mas com uma longevidade impressionante.

A Influência do Gelo e da Varredura

O desempenho da pedra não depende apenas de sua composição. Antes das partidas, a pista de gelo é preparada com finas gotículas de água que congelam, criando uma textura levemente irregular que minimiza o atrito. Durante o lançamento, a ação de dois atletas utilizando vassouras para varrer o gelo à frente da pedra é crucial. Esse aquecimento superficial diminui o atrito, permitindo que a pedra avance mais ou tenha sua trajetória sutilmente alterada. Essa capacidade de influenciar o movimento após o lançamento é uma característica única do curling, tornando-o o único esporte olímpico onde o “projétil” pode ser modificado em sua trajetória após ser liberado. Tentativas de substituir o granito por materiais sintéticos, como cerâmica, fracassaram devido à perda de textura e ao comportamento imprevisível desses compostos com o uso.

Fonte: super.abril.com.br

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