O Tempo Como Processo Contínuo
A cantora e compositora Tulipa Ruiz tem dedicado uma atenção especial ao tempo, especialmente após a perda de seu pai, a quem descreve como alguém que sabia desfrutar do momento presente. Essa vivência a levou a refletir sobre a natureza contínua e constante do tempo como um processo. “É o tempo da água fervendo, o tempo do quintal, dos encontros. É isso que eu quero. Muito,” compartilha Tulipa em participação no podcast Sabe Som?. Ela ressalta a importância de conversas genuínas e do interesse pelo que o outro está fazendo, em contraposição à reclamação e à frustração que muitas vezes dominam o cotidiano.
O Processo Criativo em Constante Evolução
Ao lado de seu irmão e parceiro musical, Gustavo Ruiz, Tulipa abordou seu processo criativo, que ela define como um estado de “estar sempre em processo”. Ela detalha que essa criação pode se manifestar de diversas formas: um exercício, o manuseio de um violão, a escrita em um caderno ou a troca de ideias musicais com Gustavo. “Às vezes eu mando alguma melodia para o Gustavo, o Gustavo às vezes me manda ou a gente se encontra e ele mostra alguma coisa que ele tá fazendo de harmonia. Eu adoro inverter os papéis,” explica, demonstrando a fluidez e a colaboração em seu trabalho.
Desafios da Carreira Independente e Crítica ao Mercado
Tulipa Ruiz também relembrou os desafios da carreira independente, relembrando como ela mesma era a distribuidora de seus CDs. “Eu vendi na unha mais de, sei lá, 50 mil CDs do Efêmera, indo levar as caixas nos lugares,” conta, com um toque de humor. A artista critica a pressão por performance e resultado imposta pela sociedade atual e pelo capitalismo, que, segundo ela, leva as pessoas a se sentirem mal consigo mesmas por diversos motivos. Além disso, ela expressa preocupação com o mercado musical atual, dominado por streamings e pela busca por viralização através de algoritmos, que podem afastar os artistas do essencial: a arte.
A Arte como Resistência à Dispersão
Diante de um cenário contemporâneo marcado pela dispersão e pela influência dos algoritmos, Tulipa Ruiz defende a música e a arte como elementos de presença e comunicação. Ela questiona como manter essa presença em meio a um mundo tão disperso e automático. “Eu acho que é e vai ser cada vez mais balsâmico, nutritivo, vai ser raro. O que a gente faz, vai ser cada vez mais raro e precioso,” afirma, valorizando a capacidade da arte de tirar as pessoas do automático e proporcionar momentos de fruição e conexão. O podcast Sabe Som? é exibido toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio.
Fonte: www.brasildefato.com.br
