Ex-parlamentar suíço enfrenta acusações graves de estupro e abuso infantil
Um ex-político local do Partido do Povo Suíço (SVP), de ultradireita, Patrick Frei, de 57 anos, foi formalmente acusado pelo Ministério Público por crimes chocantes, incluindo o estupro de sua enteada, à época menor de idade, em mais de 40 ocasiões. As acusações também incluem o estupro da companheira de Frei e mãe da menina, além de tentativa de homicídio e múltiplos abusos sexuais contra uma criança. Frei, que atuava como especialista em TI e membro do Grande Conselho do Cantão de Aargau até sua prisão em 2023, nega a maioria das acusações.
Vítimas denunciam abandono e ameaça de deportação após prisão do agressor
Em um desdobramento revoltante, as vítimas, mãe e filha de nacionalidade polonesa, não receberam o apoio social esperado. Em vez de assistência, o departamento de imigração de Aargau ordenou que elas deixassem o país. O município de Untersiggenthal, onde residiam, negou-lhes assistência social integral e ofereceu apenas um auxílio emergencial reduzido. A mãe, Iwona L., ainda foi notificada a pagar uma multa por supostamente enganar as autoridades, sob pena de prisão. Especialistas em direito consideram a ameaça de deportação um grave erro administrativo, especialmente à luz de proteções legais para mulheres migrantes vítimas de violência.
Investigação atrasada e dependência financeira agravaram o sofrimento das vítimas
A denúncia formal contra Frei demorou quase três anos para ser apresentada, devido à complexidade da análise de um extenso material de imagens e vídeos apreendidos, que se tornaram cruciais para a acusação, já que as vítimas, sedadas, tinham pouca memória dos abusos. A mãe e a filha eram financeiramente dependentes de Frei, que também era seu empregador, embora, segundo Iwona L., nunca tenha recebido o salário prometido. A situação gerou um colapso nervoso na mãe, que precisou de internação psiquiátrica, e forçou a filha, agora maior de idade, a abandonar seus estudos.
Ultradireita tenta se dissociar do caso, enquanto partidos de esquerda exigem investigações
O SVP tem buscado se distanciar do caso, afirmando que Frei renunciou ao partido após a prisão e que seus atos não têm relação com sua atuação política. No entanto, o Partido Social-Democrata (SP) do cantão de Aargau exigiu uma investigação transparente e medidas para fortalecer a proteção às vítimas, com a conselheira nacional Tamara Funiciello anunciando iniciativas para leis de imigração mais rigorosas. O município e o cantão se recusam a comentar o processo em andamento, enquanto as vítimas recorreram da decisão de deportação.
Fonte: www.cartacapital.com.br