Mata Atlântica com apenas 24% da cobertura original: Geógrafo alerta para a urgência de reflexão e recuperação

Um bioma em perigo

Nesta quarta-feira (27), celebra-se o Dia da Mata Atlântica, um bioma que se destaca pela sua exuberante biodiversidade, mas que também figura entre os mais ameaçados do planeta. Estima-se que apenas 24% de sua cobertura vegetal original tenha sobrevivido, um cenário alarmante que exige atenção e ação imediata. Embora tenha havido uma redução de 28% no desmatamento em 2025, segundo informações da Fundação SOS Amazônia, a data serve como um importante lembrete sobre a necessidade de conservação, recuperação e uso sustentável deste valioso patrimônio natural.

Histórico de exploração e ocupação

Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), ressalta a importância histórica e geográfica da Mata Atlântica. “A faixa de até 100 km do litoral para o interior do continente é onde nós temos uma grande concentração da população brasileira. É justamente nessa faixa que tínhamos a Mata Atlântica”, explica. Ribeiro aponta que a chegada dos europeus e o modelo de exploração baseado em plantation, como o cultivo da cana-de-açúcar, juntamente com outras formas de ocupação do território, iniciaram um processo gradual de desmatamento que resultou nos preocupantes índices atuais.

Sinais de esperança e biodiversidade única

Apesar do histórico de destruição, o geógrafo aponta para experiências promissoras de recuperação. No sul da Bahia, por exemplo, o plantio de cacau associado à Mata Atlântica demonstra a viabilidade de aliar a recuperação ambiental com atividades econômicas. “Eu diria que é um número ruim, sem dúvida, mas temos sinais importantes que indicam que a gente pode, pouco a pouco, recuperar essas áreas”, pontua Ribeiro. Ele ainda destaca a singularidade da Mata Atlântica, afirmando que “um hectare de Mata Atlântica é mais biodiverso do que a própria Floresta Amazônica”, e que sua recuperação contribui significativamente para a biodiversidade e o combate ao aquecimento global.

O Cerrado e a crise hídrica

A notícia também lança luz sobre o Cerrado, outro bioma brasileiro severamente afetado. Apesar de uma queda de 16% no desmatamento em 2025, a região continua sendo a mais devastada do país. “O Cerrado tem um papel fundamental na distribuição das águas no território brasileiro. Vamos lembrar que as principais bacias brasileiras têm no Cerrado a maior fonte de abastecimento hídrico”, alerta Ribeiro. O avanço do desmatamento, impulsionado principalmente pelo cultivo de soja e pela pecuária, representa uma ameaça direta à segurança hídrica do Brasil.

Propostas para reversão do quadro

Para reverter esse cenário de degradação, o professor defende estratégias claras. “É preciso levantar claramente as áreas degradadas”, afirma. Ele sugere que o conhecimento atual permite a produção nessas áreas, promovendo a recuperação. Além disso, propõe uma mudança no modelo de ocupação, favorecendo pequenas propriedades, assentamentos rurais e a rotação de culturas, em contraposição aos grandes latifúndios. A recuperação da Mata Atlântica e do Cerrado é vista como fundamental não apenas para a biodiversidade, mas também para a manutenção de recursos essenciais como a água.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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