Cautela estratégica em meio a observação da oposição
Após assistir aos desfiles de Carnaval no último domingo (15) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, o presidente Lula utilizou suas redes sociais para prestar homenagens a quatro das mais tradicionais escolas de samba fluminenses. Em um gesto de aparente neutralidade, o chefe do Executivo publicou fotos interagindo com a Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. A ação visa afastar qualquer indício de pessoalidade ou favoritismo, especialmente em relação à agremiação niteroiense, cujo samba-enredo retratou a trajetória do presidente.
Samba-enredo e a ida ao TSE
A preparação para o Carnaval do Rio foi marcada por polêmicas políticas. O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, intitulado “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, gerou controvérsia. Enquanto lideranças petistas celebraram a obra, a oposição a considerou uma campanha eleitoral antecipada, levando o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte autorizou o desfile, mas com um alerta sobre futuros ilícitos eleitorais. Em resposta, o governo adotou uma postura de cautela, com ministros e a primeira-dama Janja desistindo de participar ativamente do desfile. Lula, por sua vez, assistiu ao espetáculo no camarote da prefeitura, sem discursos.
Homenagens e nota oficial
Ao final da noite, Lula interagiu com as comissões de frente de todas as agremiações que desfilaram, beijando bandeiras de diferentes escolas. Em suas redes sociais, expressou gratidão pela recepção: “A Marquês de Sapucaí mostra ao planeta a força das nossas escolas de samba, a criatividade do nosso povo e a capacidade que o Brasil tem de transformar cultura em desenvolvimento, emprego e renda. Tenho muito orgulho de ver o Brasil brilhando assim para o mundo inteiro”, declarou.
Controvérsia financeira e judicial
Outro ponto de polêmica foi o custeio do desfile da Acadêmicos de Niterói, que recebeu parte do repasse de R$ 12 milhões da Embratur à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). O repasse foi contestado pelo partido Novo no Tribunal de Contas da União (TCU). O governo defendeu que o critério de distribuição de valores era definido pela Liesa e que todo o grupo especial foi igualmente contemplado. O relator do caso no TCU rejeitou um pedido para suspender o repasse, afirmando que não havia indícios de favorecimento à escola em questão.
Novas ações judiciais esperadas
A disputa em torno do uso de eventos culturais em contextos políticos parece longe do fim. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou a intenção de apresentar uma nova ação ao TSE contestando trechos do desfile que satirizaram a prisão de Jair Bolsonaro. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também antecipou planos de acionar a Justiça Eleitoral, alegando “abuso de poder político e uso indevido de estruturas”.
Fonte: www.congressoemfoco.com.br
