Impacto da IA nas contratações de jovens
A inteligência artificial (IA), embora promova ganhos significativos de produtividade para profissionais experientes, está se configurando como um obstáculo para a entrada de jovens no mercado de trabalho. Um estudo do Census Bureau revelou uma queda de 12% no emprego de trabalhadores entre 22 e 24 anos em setores com alta exposição à IA, nos dez trimestres após o lançamento do ChatGPT. A principal causa dessa redução foi a diminuição nas contratações de novos talentos.
Desemprego juvenil no Brasil e a influência da IA
No Brasil, o cenário do desemprego entre jovens é preocupante. No quarto trimestre de 2025, a taxa geral de desemprego atingiu quase 5%, mas entre a faixa etária de 18 a 24 anos, o índice mais que dobrou, chegando a 11,4%, segundo dados do IBGE. Essa disparidade indica barreiras adicionais para a conquista do primeiro emprego. A IA pode estar intensificando essa dificuldade, ao diminuir as oportunidades disponíveis para quem está no início de suas carreiras.
Produtividade elevada, contratações reduzidas
O aumento da eficiência proporcionado pela IA em equipes existentes cria um dilema para as empresas: antes de expandir o quadro de funcionários, a tendência é absorver a demanda adicional com a força de trabalho atual. Esse comportamento explica a redução na necessidade de novas contratações, pois profissionais mais experientes conseguem entregar mais em suas jornadas. Consequentemente, os jovens, que dependem de vagas de nível inicial, encontram um mercado com menos portas abertas.
Carreiras em risco e a competição com profissionais experientes
Um estudo do Center for Retirement Research (CRR), do Boston College, sugere que a IA pode, paradoxalmente, encurtar carreiras de profissionais experientes e bem remunerados, tornando algumas funções obsoletas. Para os jovens, o impacto é duplo: enfrentam menos oportunidades de entrada e competem diretamente com profissionais mais velhos que buscam se realocar no mercado de trabalho.
Propostas para mitigar o impacto
Empresas e governos precisam agir para evitar que uma geração inteira fique para trás. As empresas devem monitorar ativamente o número de jovens contratados, seu desenvolvimento profissional e as competências que se perdem com a automação. A transparência nesses dados é crucial para identificar gargalos. Universidades e órgãos governamentais têm o desafio de aproximar a formação acadêmica das demandas reais do mercado, promovendo experiências práticas e atualizando currículos com maior agilidade. A adaptação do sistema educacional é urgente para equipar os jovens com as habilidades necessárias para prosperar em um cenário transformado pela IA. Sem ações coordenadas, a porta de entrada para os jovens no mercado de trabalho corre o risco de permanecer fechada.
Fonte: redentc.com.br
