Divergências Marcantes em Votações Chave
O deputado federal Eros Biondini (PL/MG), que se apresenta como membro da “bancada católica”, tem demonstrado um padrão de votações que contrasta com as orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), principal órgão da Igreja Católica no país. Um dos episódios mais recentes ocorreu em maio de 2024, quando Biondini foi um dos dois únicos deputados a votar contra a suspensão da dívida do Rio Grande do Sul com a União por três anos. A medida visava auxiliar o estado em meio à tragédia climática, e a CNBB, historicamente, advoga pela solidariedade federativa e pelo papel do Estado em calamidades. O deputado justificou seu voto com um suposto rigor fiscal, argumentando que a proposta não ajudaria efetivamente o estado.
Estatuto do Desarmamento e Reforma da Previdência: Pontos de Ruptura
Outra área de distanciamento significativo é a do Estatuto do Desarmamento. Biondini integrou a comissão especial que analisou o projeto que flexibiliza o acesso a armas, alinhando-se à pauta armamentista. Em contrapartida, a CNBB mantém uma posição contrária à ampliação do porte de armas, defendendo o desarmamento como meio de reduzir a violência. Em 2019, o deputado votou a favor da Reforma da Previdência, apesar das críticas da CNBB sobre os impactos sociais e a proteção aos vulneráveis. Essa votação chamou atenção por ir de encontro a declarações anteriores do próprio parlamentar, que em 2017 ecoava críticas da Igreja a mudanças previdenciárias.
Segurança Pública e Teto de Gastos: Contraste com a Igreja
Na pauta da segurança pública, Biondini também divergiu da CNBB ao apoiar a redução da maioridade penal. Embora tenha votado contra o texto principal em 2015, mudou sua posição em votações subsequentes para apoiar uma versão modificada. A CNBB, por sua vez, sempre se posicionou contrária a essa medida, priorizando políticas de prevenção e ressocialização. Em 2016, o deputado votou a favor da PEC 241, que instituiu o teto de gastos públicos. A CNBB classificou a medida como “injusta e seletiva”, alertando para o congelamento de investimentos sociais por duas décadas e o impacto na população mais pobre. Novamente, o voto de Biondini se opôs às diretrizes da Igreja.
Comunidades Terapêuticas e Verbas Públicas
Além de sua atuação parlamentar, Eros Biondini lidera a comunidade terapêutica Mundo Novo Sem Drogas (MNSD), ligada à Renovação Carismática Católica. O modelo dessas instituições tem sido alvo de investigações e críticas em diversas partes do país, com relatos de maus-tratos e condições análogas à escravidão. Embora não haja denúncias diretas contra a MNSD, o problema é considerado estrutural, com falta de fiscalização e práticas focadas apenas na abstinência e religiosidade, em detrimento de políticas públicas integradas. O setor recebe recursos públicos, inclusive por meio de emendas parlamentares do deputado Biondini, o que intensifica o debate sobre a destinação de verbas e a eficácia desse modelo de tratamento, com especialistas defendendo abordagens baseadas em evidências científicas e direitos humanos.
Fonte: www.brasildefato.com.br
