Nova Rota Comercial: Canadá e China Firmam Parceria Estratégica
Em um movimento que sinaliza uma reconfiguração de sua política externa e econômica, o Canadá anunciou uma nova “parceria estratégica” com a China, marcada pela redução de tarifas em setores-chave como energia, agroalimentos e comércio. A decisão, oficializada após encontro entre o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, representa uma tentativa de reposicionar o país em um cenário internacional volátil, onde o protecionismo e a disputa por cadeias produtivas estratégicas ganham força.
Veículos Elétricos Chineses Invadem o Canadá com Tarifas Reduzidas
Um dos pilares do acordo é a permissão para a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses no mercado canadense, com a aplicação da tarifa de nação mais favorecida de 6,1%. Segundo o governo canadense, a medida visa abrir espaço para investimentos em “joint ventures” e fortalecer a cadeia local de produção, ao mesmo tempo que amplia a oferta de veículos a custos mais acessíveis para o consumidor. Essa iniciativa surge em um momento crucial em que o Canadá busca equilibrar sua política industrial com a necessidade de manter a competitividade e atrair investimentos estrangeiros, integrando-se de forma mais ativa às cadeias globais de transição energética.
Alívio no Campo: Tarifas de Canola e Outros Produtos Caem Significativamente
No setor agroalimentar, o entendimento representa um fôlego para os produtores canadenses. A China se comprometeu a reduzir drasticamente as tarifas sobre a canola, de aproximadamente 84% para cerca de 15%, além de eliminar barreiras em produtos como ervilhas, lagostas e caranguejos. Essa abertura tem o potencial de “destravar bilhões de dólares em negócios”, segundo Mark Carney, ampliando o acesso do Canadá a um de seus mercados consumidores mais importantes.
Diversificação Comercial e Novos Horizontes Econômicos
Mais do que ganhos setoriais pontuais, o acordo reflete uma estratégia de diversificação comercial ambiciosa. Em um contexto global descrito como “mais dividido e incerto”, o Canadá busca diminuir sua dependência de parceiros tradicionais e ampliar sua autonomia econômica. A meta de elevar em 50% as exportações canadenses para a China até 2030 evidencia essa ambição. Além do comércio, ambos os países sinalizaram interesse em aprofundar a cooperação em áreas como energia limpa, governança global, segurança, intercâmbio cultural e turismo. A visita de Carney a Pequim, a primeira de um primeiro-ministro canadense desde 2017, marca uma virada pragmática nas relações bilaterais, buscando um equilíbrio em meio a desafios geopolíticos e econômicos globais.
Fonte: exame.com
