Crise no BRB: O que aconteceu?
O Banco de Brasília (BRB), uma instituição financeira pública com mais de 50 anos de história, encontra-se em uma situação delicada. A instituição se tornou a maior compradora de ativos do Banco Master, um banco privado que foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 pelo Banco Central (BC) devido a graves problemas de liquidez e suspeitas de fraude.
Mesmo diante de alertas de risco, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master entre 2024 e 2025. Essa exposição resultou em um aumento de R$ 20 bilhões na carteira de crédito do BRB em apenas 12 meses, sendo que pelo menos R$ 12,2 bilhões são oriundos dessas operações. Especialistas apontam que essa exposição compromete a solidez e a credibilidade do banco público.
O Rombo Bilionário e o Uso Político
A estimativa inicial do rombo financeiro para o BRB era de R$ 2,6 bilhões, mas pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo informações do diretor de Fiscalização do Banco Central. Esse valor supera o patrimônio líquido do próprio BRB, que era de R$ 4,9 bilhões no final do terceiro trimestre de 2025. Economistas e sindicalistas apontam para um possível uso político do banco público para beneficiar aliados privados, com o prejuízo sendo socializado.
“O principal ativo de um banco é a confiança. Quando ela é corroída, nem mesmo a carteira sólida consegue sustentar sua credibilidade”, afirma o economista Pedro Faria. Ivan Amarante, do Sindicato dos Bancários de Brasília, destaca o descompasso da operação: “Foi uma operação de mais de R$ 10 bilhões com um banco que tinha R$ 5 bilhões de patrimônio líquido. É o tipo de descompasso que coloca qualquer banco em risco.”
Ibaneis Rocha: Avalista e Suspeitas de Conivência
Documentos e depoimentos indicam que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), esteve ciente e atuou como avalista político das operações entre o BRB e o Master. Mesmo após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, que levou ao afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, Ibaneis Rocha defendeu publicamente as transações, classificando as críticas como “movimentações políticas”.
Segundo depoimentos à Polícia Federal, o governador foi informado sobre os riscos, mas continuou apoiando as aquisições. A substituição do presidente do BRB, sem um reconhecimento explícito de erro político, e a nomeação de Edison Garcia – conhecido por ter conduzido a privatização da CEB – para o conselho de administração do banco, reacenderam o debate sobre uma possível privatização do BRB.
O Fantasma da Privatização e Alertas Ignorados
A crise atual reacende um debate antigo sobre a privatização do BRB, que ocorre ciclicamente em contextos de crise fiscal. Especialistas e sindicatos veem a nomeação de Edison Garcia como um sinal preocupante, lembrando o processo de desmonte da CEB. “Sucateia-se por dentro e depois aparece a privatização como única saída ‘responsável’”, alerta Pedro Faria.
Desde 2024, o Sindicato dos Bancários de Brasília emitiu alertas formais sobre os riscos da exposição ao Master, mas, segundo a entidade, foram ignorados pela direção do banco e pelo governo. Parlamentares da oposição também apresentaram requerimentos e denúncias, cobrando respostas do Executivo local. A gestão do BRB e o governador Ibaneis Rocha seguiram defendendo a estratégia como um “reposicionamento estratégico”, mesmo diante de evidências de risco.
A atuação de Ibaneis Rocha na condução da crise já resultou em um pedido de investigação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e em um pedido de afastamento protocolado no STJ. Partidos de oposição também pediram o impeachment do governador na Câmara Legislativa do DF.
Fonte: www.brasildefato.com.br
