Impacto Direto no Programa Materno-Infantil
Quase 33 mil mulheres grávidas em Cuba enfrentam riscos desnecessários devido ao endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A escassez de combustíveis, intensificada pelas sanções, afeta diretamente o atendimento médico e os serviços vitais do sistema de saúde cubano, conforme informou o Ministério da Saúde Pública (Minsap).
As restrições no fornecimento de energia impactam severamente o Programa de Assistência Materno-Infantil. Gestantes têm enfrentado limitações no acesso a ultrassonografias obstétricas, exames cruciais para o monitoramento fetal e a detecção precoce de malformações e complicações.
Mobilidade e Vacinação Comprometidas
O embargo ao fornecimento de combustível também dificulta a mobilização de comissões médicas responsáveis por avaliar casos de morbidade materna extremamente grave e recém-nascidos em estado crítico. Além disso, os atrasos nos calendários de vacinação infantil são uma consequência direta dessa dificuldade de logística.
As autoridades de saúde cubanas alertam que essas interrupções podem afetar significativamente os 61.830 bebês com menos de um ano que necessitam de cuidados especiais. O atendimento a crianças com necessidades específicas, como ventilação domiciliar e ar-condicionado, também está comprometido pela instabilidade energética e pela disponibilidade limitada de transporte médico de emergência.
Extensão do Impacto para Outros Pacientes
O Minsap ressalta que a situação compromete ainda o atendimento a pacientes com câncer, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e o monitoramento de programas de controle de doenças transmissíveis, o que pode levar a um aumento da mortalidade nesses grupos.
O endurecimento das sanções americanas também tem dificultado a aquisição de medicamentos, reagentes, suprimentos médicos, instrumentos e peças de reposição para equipamentos hospitalares. A redução de voos comerciais e o aumento dos custos de frete agravam a situação, dificultando a chegada urgente de suprimentos ao país.
Medidas Estratégicas em Meio à Crise
Diante desse cenário, o Ministro da Saúde Pública, José Ángel Portal Miranda, explicou que o sistema de saúde adotou medidas estratégicas para preservar a vitalidade dos serviços. Entre elas, estão a consolidação dos serviços essenciais, o fortalecimento do programa médico e de enfermagem de família, a priorização do programa de saúde materno-infantil e a redução de internações hospitalares, quando clinicamente viável.
A atividade cirúrgica também será reduzida, priorizando apenas intervenções de emergência, enquanto se garante o atendimento a pacientes com doenças crônicas, incluindo aqueles que necessitam de hemodiálise. O sistema de saúde cubano, já sob intensa pressão desde a pandemia de Covid-19, enfrenta agora um agravamento das condições necessárias para garantir os serviços hospitalares, unidades de terapia intensiva e centros cirúrgicos.
Compromisso e Condenação Internacional
Apesar das limitações, o Ministério da Saúde Pública assegura o compromisso dos profissionais de saúde em garantir o atendimento à população, priorizando os casos mais vulneráveis e reorganizando os recursos. As autoridades cubanas reiteram que as medidas adotadas por Washington constituem uma política de pressão máxima que impacta diretamente a vida de milhões de pessoas.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, descreveu as ações do governo Trump como uma “tentativa brutal de estrangular energeticamente a ilha”. Ele agradeceu o apoio de líderes africanos, que, através da Assembleia da União Africana, condenaram o bloqueio e exigiram a remoção de Cuba da lista de supostos patrocinadores estatais do terrorismo.
Fonte: www.brasildefato.com.br
