MST Alerta: Agronegócio Bloqueia Reforma Agrária e Políticas Sociais no Campo, Dificulta Luta Contra Pobreza

Agronegócio e Poder Político: Um Freio na Reforma Agrária

O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador, Bahia, divulgou um documento contundente: mais de 100 mil famílias brasileiras ainda aguardam por terra. Segundo a carta final do evento, o agronegócio é o principal responsável por barrar o avanço da reforma agrária e, consequentemente, de políticas públicas eficazes para o campo. O movimento critica a influência do setor no Congresso Nacional, na mídia e no judiciário, que atuam em detrimento da democratização do acesso à terra.

Desequilíbrio de Investimentos: Agricultura Familiar Ignorada

Exemplos recentes evidenciam o descompasso nas prioridades governamentais. O Plano Safra 2025/2026, destinado ao agronegócio, apresenta um valor 82,75% superior ao reservado para a Agricultura Familiar. Essa disparidade, somada à derrubada de vetos presidenciais que visavam endurecer regras de licenciamento ambiental, reforça a tese do MST de que as esferas políticas favorecem a concentração de terras e a produção de commodities em detrimento de um modelo agrícola mais justo e sustentável.

O Confronto de Modelos: Reforma Agrária Popular versus Agronegócio

A carta do MST defende a Reforma Agrária Popular como um caminho para superar a crise ambiental e civilizatória. O documento argumenta que o modelo hegemônico do agronegócio, focado em commodities, destrói bens comuns da natureza e utiliza agrotóxicos em larga escala, comprometendo a saúde e o meio ambiente. O movimento propõe o enfrentamento direto a esse modelo, pela democratização da terra e pela centralidade da questão ambiental, clamando pela unidade da classe trabalhadora para construir um novo projeto de desenvolvimento para o país.

Vozes do Futuro: Crianças Sem Terrinha Pedem Terra e Dignidade

O encontro também deu voz às futuras gerações. Crianças da organização Sem Terrinha entregaram uma carta ao presidente Lula, expressando o sonho de ver a terra dividida para que todas as famílias tenham onde morar e trabalhar com dignidade. As crianças pediram mais escolas no campo, o fim da violência e dos despejos, e que o Estado garanta sua segurança. A carta, intitulada “Sem Terrinha em ação: defender a natureza é defender o nosso chão!”, ressalta a importância da educação e da proteção ambiental para o futuro.

Fonte: www.brasildefato.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *