Porto Alegre celebra 25 anos do Fórum Social Mundial com ato e convoca mobilização antifascista

Memória e Futuro em Porto Alegre

Porto Alegre, cidade que deu origem ao Fórum Social Mundial (FSM) em 2001, volta a ser palco de um importante encontro. Neste domingo (25), às 10h, o Monumento ao Expedicionário, no Parque da Redenção, sediará um ato para celebrar os 25 anos do FSM. O evento, promovido por movimentos sociais e organizações, visa relembrar a importância do Fórum como contraponto ao modelo neoliberal e convocar novas mobilizações em um cenário global desafiador.

O FSM nasceu como um espaço plural e não governamental, reunindo ativistas e organizações em busca de alternativas ao neoliberalismo. O lema “Um outro mundo é possível” continua a inspirar militantes, mesmo diante de um contexto que, segundo os organizadores, se tornou ainda mais complexo.

### Origem Espontânea e Convocações Estratégicas
Mauri Cruz, integrante do Coletivo Brasileiro do Fórum Social Mundial, explica que a ideia do ato surgiu de forma orgânica, impulsionada pelas redes sociais e pelo simbolismo da data. “A gente começou a se falar: ‘não vamos fazer nada?’”, relata Cruz, mencionando a intenção inicial de realizar eventos em janeiro e março, incluindo um encontro preparatório para o Fórum do Benin.

No entanto, a convocação da primeira Conferência Internacional Antifascista por Soberania dos Povos, que ocorrerá em Porto Alegre de 26 a 29 de março, levou à concentração de esforços nessa mobilização. A proximidade do aniversário do FSM, contudo, tornou a realização do ato deste domingo indispensável.

“Chega perto da data e não tem como não fazer nada. Aí vimos nas redes pessoas sugerindo e nasceu essa ideia de nos encontrarmos no dia 25, às 10h, no Monumento ao Expedicionário”, afirma Cruz. Diversas organizações se uniram à iniciativa, incluindo comitês de solidariedade internacional, que também divulgarão a jornada global de mobilizações contra o imperialismo marcada para 28 de janeiro. O ato é visto como um momento rico e simbólico, celebrando o privilégio de Porto Alegre ter sediado quatro das cinco primeiras edições do FSM.

### Crise Global e o Papel do FSM
Mauri Cruz ressalta que o atual contexto internacional reforça a pertinência do FSM. Ele lembra que o Fórum surgiu denunciando os limites do neoliberalismo para lidar com a desigualdade social e os problemas ambientais. “O mundo seguiu o caminho do neoliberalismo e hoje estamos concluindo que tínhamos razão. O mundo está mais concentrado, mais violento, com mais exclusão. As questões centrais da humanidade não foram resolvidas. Pelo contrário, estamos próximos de um colapso climático”, afirma.

O dirigente também aponta para o crescimento de forças autoritárias globalmente. “A democracia está sendo questionada em vários lugares. Se consolidou um bloco planetário autoritário, fascista, com projeto global. Isso exige, mais do que nunca, que a gente se reúna para construir alternativas, especialmente na América Latina”, defende.

Cruz vê a transição para um mundo multipolar como um desafio geopolítico para a região, com a América Latina ficando na mira de uma potência em declínio. A conferência antifascista de março busca, segundo ele, recompor alianças estratégicas entre partidos, movimentos e governos, superando a centralidade das disputas eleitorais e focando em uma visão estratégica para os complexos desafios globais.

### Legados e o Futuro do Fórum Social Mundial
Reconhecendo controvérsias sobre o impacto histórico do FSM, Cruz defende que o Fórum deixou legados importantes na elaboração de ideias e propostas, fortalecendo agendas como economia solidária, lutas ambientais e direitos humanos. Ele destaca o Fórum como um espaço de articulação, encontro e sistematização da práxis dos movimentos sociais, experimentando uma “democracia horizontalizada em escala planetária”.

O FSM continua sem substitutos no cenário internacional. A edição de 2024 no Nepal reuniu cerca de 80 mil pessoas, e a próxima edição mundial está prevista para ocorrer de 4 a 8 de agosto de 2026, em Cotonou, no Benin, com foco em movimentos africanos e expectativa de maior participação latino-americana.

“Temas como agricultura familiar, agroecologia, quilombos vão estar muito fortes lá. A ideia é que possamos contribuir nesse sentido”, afirma Cruz. Ele conclui que a marca dos 25 anos reforça a urgência da articulação internacional diante dos riscos da barbárie e da extinção, reiterando que “um outro mundo não é só possível, ele é urgente, ele é necessário”. O ato também se soma à defesa da soberania da Venezuela e dos povos latino-americanos.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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