EUA apreendem navios petroleiros venezuelanos, um deles com bandeira russa, em meio a novas sanções e acordos comerciais

Navios interceptados no Atlântico

Os Estados Unidos apreenderam dois navios petroleiros ligados à Venezuela no Oceano Atlântico na quarta-feira, 6 de janeiro. A ação faz parte dos esforços do governo de Donald Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e aumentar as restrições contra Caracas. Um dos navios interceptados navegava sob bandeira russa, conforme reportado pela agência Reuters.

A ofensiva ocorre em um contexto de crescente pressão sobre o governo venezuelano, que se intensificou após a recente prisão do líder Nicolás Maduro em Caracas, em uma operação militar americana. Autoridades dos EUA declararam que as ações visam reforçar o bloqueio a embarcações sancionadas que operam em rotas de ou para a Venezuela, país membro da Opep.

Operação detalhada e desmentido russo

A Guarda Costeira dos EUA, com apoio da Força Aérea Real Britânica, interceptou o navio Marinera (anteriormente chamado Bella-1) após semanas de perseguição. O petroleiro, que havia recentemente mudado sua bandeira para a russa, recusou-se a ser abordado no mês anterior. Relatos indicam a presença de navios e um submarino da Rússia nas proximidades durante a abordagem, embora o Kremlin não tenha comentado o incidente.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, em entrevista à Fox News, classificou o Marinera como um “petroleiro russo falso”, alegando que a mudança de bandeira foi uma tentativa de burlar as sanções. No mesmo dia, o navio M Sophia, de bandeira panamenha e carregado com petróleo venezuelano, também foi interceptado. Segundo a estatal PDVSA, esta foi a quarta apreensão semelhante em poucas semanas, com os EUA apontando ambos os navios como parte de uma “frota paralela” que transporta petróleo da Venezuela e do Irã.

Novas estratégias comerciais e críticas internacionais

O governo americano afirmou que apenas o transporte marítimo em conformidade com suas leis e interesses de segurança nacional será permitido. Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, destacou o “potencial econômico ilimitado” para o setor energético venezuelano através de “canais comerciais legítimos e autorizados”. A procuradora-geral Pam Bondi informou que a tripulação do Marinera enfrentará acusações criminais por tentar evitar a abordagem.

Em contrapartida, a China criticou as ações americanas, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, qualificando-as como “atos típicos de bullying”. Paralelamente, Donald Trump anunciou que os lucros dos novos acordos comerciais com a Venezuela serão utilizados para a aquisição de produtos americanos, solidificando a intenção de fazer da Venezuela um parceiro comercial prioritário dos EUA. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou-se inocente das acusações de tráfico de drogas em um tribunal federal em Nova York, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez iniciou tratativas com os EUA sob a ameaça de novas ações militares.

Controle estratégico e planos de refino

O plano dos EUA, segundo JD Vance, é controlar os recursos energéticos venezuelanos, permitindo a venda de petróleo apenas se atender aos interesses nacionais americanos. Em um anúncio na terça-feira, Trump detalhou que os EUA refinarão e comercializarão até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, com sanções sendo “revertidas seletivamente” para viabilizar a operação. Marco Rubio confirmou a intenção de comprar entre 30 e 50 milhões de barris, vendendo-os a preços de mercado.

A PDVSA confirmou negociações com o governo americano, descrevendo os termos como “transações estritamente comerciais sob termos legais, transparentes e benéficos para ambas as partes”. A expectativa de aumento na oferta de petróleo levou à queda dos preços nos mercados internacionais. Rússia, China e aliados da Venezuela condenaram a operação militar dos EUA. Aliados de Washington expressaram preocupação com o precedente da prisão de um chefe de Estado estrangeiro, com Trump sugerindo futuras ações contra países como México e Groenlândia para proteger interesses estratégicos americanos.

Fonte: exame.com

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