Dólar surpreende: Moeda americana avança em junho e semestre, mas analistas apontam para cenário de alta em julho com foco em juros

Dólar encerra junho em alta e consolida segundo mês consecutivo de valorização

O dólar comercial fechou o mês de junho em alta, acumulando uma valorização de 2,39% e marcando o segundo mês consecutivo de ganho frente ao real. Apesar de ter registrado uma queda de 0,23% no último pregão do mês, cotado a R$ 5,1630, a moeda americana consolidou uma tendência de fortalecimento iniciada em maio. O pregão foi marcado por volatilidade, influenciado pela divulgação de indicadores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos.

Semestre de duas faces: Do otimismo à reversão da tendência do real

Especialistas apontam que o desempenho do dólar no primeiro semestre de 2026 foi dividido em dois momentos distintos. Até abril, o real apresentava forte valorização, impulsionada pelo fluxo de investimentos para o Brasil. Contudo, nos dois meses seguintes, essa tendência se reverteu. Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, explica que a mudança na política monetária dos Estados Unidos, com a posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, alterou as expectativas do mercado. A possibilidade de manutenção ou até aumento das taxas de juros americanas fortaleceu o dólar globalmente, atraindo recursos de volta para os ativos dos EUA.

Fatores internos e externos impulsionam o dólar

No cenário brasileiro, a continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic e as incertezas sobre o futuro da política monetária também contribuíram para a valorização da moeda americana. Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destaca que, embora um alívio geopolítico no Oriente Médio tenha ocorrido em junho, o impacto sobre o câmbio foi menor do que a nova postura do Federal Reserve. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, atingiu máximas em treze meses, superando os 101 pontos.

Projeções para julho: Dólar com viés de alta e foco na divergência de juros

As expectativas para julho indicam um cenário de maior sustentação para o dólar. A divergência entre a política monetária dos Estados Unidos, com juros potencialmente mais altos, e a brasileira, com cortes na Selic, é vista como um fator chave. Praça projeta que o dólar pode oscilar entre R$ 5,05 e R$ 5,35, com um viés de alta. A proteção cambial, segundo ele, deve ser buscada menos pelas tensões geopolíticas e mais pelas diferenças nas trajetórias de juros dos dois países, além do calendário eleitoral brasileiro.

Fonte: exame.com

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