Greves no Brasil disparam 14% em 2025, setor privado lidera com atrasos salariais e más condições de trabalho

Aumento de 14% nas Greves em 2025

O Brasil registrou um aumento expressivo de 14% no número de greves em 2025, totalizando 1.006 paralisações contra 880 no ano anterior. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor privado e por empresas estatais, conforme balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em contrapartida, o número de greves no funcionalismo público permaneceu praticamente estável.

Setor Privado Lidera Reivindicações

No setor privado, foram contabilizadas 539 greves, representando 53,6% do total nacional. O setor de serviços concentrou a maior parte dessas mobilizações (69,4%), com destaque para transportes (24%) e turismo e hospitalidade (22%). Nesses segmentos, os conflitos mais frequentes estiveram ligados a atrasos salariais, problemas com alimentação e condições de trabalho inadequadas. A análise do Dieese indica que 86,8% das greves no setor privado tiveram caráter defensivo, focadas no descumprimento de direitos trabalhistas, como pagamento de salários em atraso (43,2%), questões de alimentação (35,8%), reivindicação de reajuste salarial (22,4%) e condições de trabalho (14,8%).

Relações Trabalhistas Deterioradas Apesar da Melhora Econômica

O aumento das greves ocorreu em um cenário de indicadores econômicos positivos, com a taxa de desocupação caindo para 5,6% e o PIB crescendo 2,3% em 2025. No entanto, a economista Juliane Furno, da Uerj, destaca que, apesar da melhora no mercado de trabalho, o caráter das pautas grevistas é majoritariamente defensivo. Ela observa que, diferentemente de períodos de expansão econômica anteriores, como em 2012, quando as reivindicações eram mais ofensivas e voltadas à ampliação de conquistas, hoje as relações de trabalho parecem mais fragilizadas. “Isso mostra que, em que pese as melhoras econômicas, as relações trabalhistas estão mais deterioradas, com mais liberdade para o empresariado desrespeitar a legislação trabalhista”, afirma Furno. A presença de reajuste salarial nas pautas também sugere que a recuperação da renda ainda é limitada.

Greves Mais Curtas e com Táticas de Advertência

Apesar do aumento no número de paralisações, o tempo total de greve diminuiu em 2025. As horas paradas caíram 10%, totalizando 33,1 mil. Uma tendência observada é que 59,4% das greves terminaram no mesmo dia em que começaram, e 43,5% utilizaram a tática de advertência. O reajuste salarial apareceu em 35,1% das mobilizações nacionais, seguido por alimentação, pagamento de salários em atraso e condições de trabalho.

Educação Lidera Paralisações no Setor Público

No funcionalismo público, foram registradas 395 greves, com forte participação das redes municipais e dos profissionais da educação. Cerca de 64,8% ocorreram no nível municipal, e 48% foram protagonizadas por educadores. As principais pautas incluíam reajuste salarial (54,4%), protestos contra governos (51,1%) e cobrança por mais investimentos em serviços públicos (50,4%). Já nas empresas estatais, o número de greves aumentou 54%, com destaque para urbanitários (25%) e trabalhadores das comunicações, majoritariamente dos Correios (24%).

Fonte: www.brasildefato.com.br

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