Lula defende agro sustentável e energia limpa na Alemanha: Brasil pode ser chave para descarbonizar a Europa
Em discurso na Hannover Messe, presidente critica barreiras a biocombustíveis e propõe parceria estratégica para transição energética e neoindustrialização.
Brasil como parceiro na transição energética e industrial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em Hannover, na Alemanha, uma aproximação reforçada entre Brasil e Europa com foco na transição energética, neoindustrialização e inovação tecnológica. Ao discursar na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, Lula destacou o potencial brasileiro em contribuir para a competitividade europeia no novo cenário energético. “O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e descarbonizar sua indústria. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, afirmou o presidente, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz.
Críticas às barreiras comerciais e defesa dos biocombustíveis
Em seu pronunciamento, Lula criticou o que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e atacou as restrições impostas aos biocombustíveis europeus. “É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente tanto do ponto de vista ambiental quanto do energético”, declarou. Essa postura visa posicionar o Brasil como uma potência industrial verde e parceiro confiável no cenário global, buscando ampliar a visibilidade internacional, atrair investimentos e consolidar parcerias em áreas estratégicas como mudanças climáticas, infraestrutura e energia.
Potencial mineral e energético do Brasil em destaque
Lula associou o discurso externo à agenda econômica interna, ressaltando o programa de neoindustrialização do Brasil, impulsionado pela economia verde e pela indústria 4.0. O país busca atrair parcerias com transferência de tecnologia, especialmente na exploração de minerais estratégicos para a transição energética e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel. Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais”, enfatizou. O presidente também destacou a matriz elétrica brasileira, com 90% de energia limpa, e o potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo, reforçando a segurança energética do país e sua menor vulnerabilidade à crise de oferta de petróleo. Lula mencionou ainda a adoção de misturas de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, produzidos de forma sustentável.
Inteligência artificial, trabalho e multilateralismo
A inovação tecnológica e a proteção do trabalho foram outros pontos abordados por Lula. Ele reconheceu o aumento de produtividade proporcionado pela inteligência artificial, mas alertou para os riscos de seu uso sem limites éticos e para o impacto sobre os trabalhadores. “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos que cause para o desenvolvimento dos países, é preciso que nós lembremos que, por trás de cada gênio, de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, disse, apelando pela consideração do trabalhador no desenvolvimento tecnológico. O presidente também defendeu o fim da jornada de trabalho seis por um, visando garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores. Em outra frente, Lula criticou o cenário internacional, classificando guerras como “maluquice” e questionando os gastos globais em conflitos em detrimento da resolução de problemas humanitários como a fome. Ele também defendeu a “refundação” da Organização Mundial do Comércio e criticou o protecionismo.
Fonte: www.congressoemfoco.com.br
