Victor Hugo: O Que Aconteceu Com a Grife Brasileira Que Era Símbolo de Luxo Nos Anos 90 e Agora Enfrenta Falência Bilionária?
Da Feira Hippie ao Auge do Glamour Nacional, a Ascensão e a Queda de uma Marca Que Marcou uma Geração e Luta Contra Dívidas de R$ 1,2 Bilhão.
Do Artesanato à Grife de Luxo: O Sonho de Victor Hugo
Nos anos 1990, o monograma “VH” em bolsas era sinônimo de status e sofisticação no Brasil. A Victor Hugo, marca brasileira fundada pelo uruguaio Victor Hugo Alves Gonzales, ascendeu rapidamente, tornando-se um ícone do luxo nacional. O que começou com a venda de acessórios artesanais na Feira Hippie de Ipanema, em meados dos anos 1970, evoluiu para uma rede de lojas de alto padrão, oferecendo bolsas e carteiras de couro com design refinado. Em 1975, a primeira loja foi inaugurada no Rio de Janeiro, e em poucas décadas, a Victor Hugo já possuía 12 unidades e se consolidava como uma grife de luxo “made in Brazil”.
O Ápice dos Anos 90: Luxo Acessível e o Poder do Monograma
A década de 1990 marcou o auge da Victor Hugo no mercado brasileiro. A estratégia da marca foi oferecer produtos sofisticados de couro a preços mais acessíveis que as grifes europeias. O distinto monograma metálico “VH”, inspirado nas casas de moda internacionais, ajudou a construir uma imagem premium desejada pelas consumidoras. Naquela época, a dificuldade de acesso a produtos de luxo importados, devido aos altos custos e burocracia, abriu uma grande oportunidade para marcas nacionais como a Victor Hugo. A grife estampava editoriais de moda, ocupava vitrines em shoppings de luxo e adornava os braços de celebridades, chegando a ter mais de 70 lojas franqueadas no Brasil e uma unidade em Nova York.
A Virada do Milênio e o Início da Perda de Força
A partir de 2002, a trajetória da Victor Hugo começou a mudar. O grupo passou por diversas alterações societárias, com a marca sendo transferida para empresas registradas no exterior, como Uruguai e Belize, paraísos fiscais conhecidos. Essas manobras, segundo as procuradorias, dificultaram a cobrança de dívidas fiscais. Em 2019, a Justiça determinou o bloqueio de bens e a proibição da venda da marca devido a débitos que já ultrapassavam R$ 300 milhões. Paralelamente, o número de lojas encolheu drasticamente, de mais de 70 para cerca de 19.
Desafios do Mercado e o Processo de Falência Bilionário
Além das disputas fiscais, o mercado de luxo globalizado e a mudança no comportamento do consumidor também impactaram a Victor Hugo. A entrada de mais grifes internacionais no Brasil e a busca por novidades por parte dos consumidores criaram um cenário mais competitivo. Críticos apontam que a gestão da empresa, por vezes concentrada nas decisões do fundador, pode ter levado a uma falta de renovação e a uma percepção de estagnação da marca. Em fevereiro de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro abriu um processo de falência contra o grupo, com dívidas fiscais que chegam a aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Apesar do processo, as lojas continuam operando sob nova gestão, visando preservar empregos enquanto o caso é analisado.
Fonte: exame.com
