Um Chamado à Consciência Inspirado em Rachel Carson
Na esteira do alerta lançado por Rachel Carson em sua obra seminal “Primavera Silenciosa”, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, sediou entre os dias 27 e 29 de maio de 2026 o 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (Sibsa). Em um estado marcado pela expansão das monoculturas, o evento reuniu 619 participantes, entre acadêmicos e representantes do saber popular, em um vibrante encontro de resistência e esperança.
A Tenda Rachel Carson: Um Espaço de Luta e Diálogo
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, atuante desde 2011 na denúncia do modelo agroexportador, organizou a Tenda Rachel Carson. Este espaço foi palco de 52 atividades, onde pesquisadores e movimentos sociais, representando 36% do público total, debateram o impacto dos agrotóxicos. Em contraponto aos dados alarmantes sobre o consumo de venenos, a tenda celebrou a terra e a alimentação saudável, confrontando a realidade de um país que anualmente utiliza cerca de 1,7 milhão de toneladas de agrotóxicos.
Mato Grosso: Epicentro da Contaminação e Denúncias Urgentes
O simpósio escancarou a urgência da situação em Mato Grosso, estado que lidera o uso intensivo de agrotóxicos no Brasil. Relatos sobre a pulverização aérea e o uso de drones em territórios indígenas, quilombolas e camponeses evidenciaram como o direito à produção de alimentos tem se transformado em um risco à saúde. A palestra da pesquisadora Karen Friedrich, presidente do Sibsa, ressaltou a necessidade de uma ciência engajada, que não se curve à neutralidade diante de substâncias com origem em armas químicas e que hoje geram lucro para poucas transnacionais.
Reconhecimento e Compromisso: A Força da Campanha e o Futuro da Agroecologia
O encerramento do Sibsa foi marcado por uma emocionante homenagem à Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O reconhecimento, compartilhado com figuras como os professores Lia Giraldo e Wanderlei Pignati, e o cineasta Sílvio Tendler, foi dedicado a cada militante e camponês que resiste em prol da agroecologia. A Carta do Sibsa, documento final do evento, sintetiza o compromisso com a democracia e a justiça socioambiental, reafirmando a agroecologia como um projeto de sociedade onde a comida é sagrada e a água, limpa. A luta por uma primavera não silenciosa, mas cantada por todas as vozes em defesa da soberania alimentar e de territórios livres de agrotóxicos, segue firme.
Fonte: www.brasildefato.com.br
