Rio Paraopeba: Sete Anos Após Brumadinho, Apenas 3 de 54 km de Limpeza Concluídos e Impactos na Saúde Persistem

Avanço Lento da Reparação Ambiental

Sete anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, o Rio Paraopeba ainda enfrenta um cenário crítico. A mineradora, condenada a reparar os danos socioambientais, tem avançado em ritmo lento na remoção dos rejeitos de minério que contaminaram o curso d’água. O Acordo Judicial de Reparação, firmado em 2021, previa a limpeza de 54 quilômetros do rio até a Represa de Retiro Baixo. No entanto, apenas três quilômetros foram efetivamente dragados até o momento.

Metas Descumpridas e Planejamento Incerto

A meta original de limpar 54 km do Paraopeba até 2024 não foi cumprida. O segundo trecho, que abrange de três a seis quilômetros, ainda aguarda licenciamento, com previsão de início da dragagem apenas para maio de 2026. Trechos mais adiante do rio (de seis a 38 km e de 39 a 46 km) estão em fase de definição de estratégias, e o trecho final, a jusante da Usina Hidrelétrica de Igarapé, não possui planejamento. A dragagem do reservatório de Retiro Baixo e a quantidade exata de rejeitos ali depositados também permanecem incertas.

Contaminação e Danos Ecológicos

Relatórios indicam que, até dezembro de 2025, apenas 17% do volume estimado de rejeitos havia sido removido. Estudos técnicos da UFMG constataram concentrações de metais e metalóides acima dos níveis seguros na água do Paraopeba, tanto superficial quanto subterrânea, além de alta turbidez e presença de coliformes. O desastre também causou perda de vegetação, alterações no leito do rio, desaparecimento de lagoas e aumento de áreas alagadas, aprofundando os danos ecológicos na bacia.

Impactos Alarmantes na Saúde das Populações

Além da degradação ambiental, os efeitos do rompimento continuam a afetar a saúde das comunidades. Pesquisas como o Projeto Bruminha, que acompanha crianças de 0 a 6 anos, identificaram um risco três vezes maior de alergias respiratórias em crianças expostas à poeira dos resíduos. Análises de urina revelaram a presença de arsênio, chumbo e mercúrio em todas as amostras analisadas em 2023, com aumento da exposição ao arsênio. Entre adolescentes e adultos, os índices de depressão, ansiedade e doenças respiratórias, como asma, são significativamente mais altos que a média nacional, com tendência de piora nos últimos anos.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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