Nova Matriz de Opinião e Pedido de Eleições
Uma nova onda de pressão internacional pela realização de eleições gerais na Venezuela ganhou força, impulsionada pela oposição radical ligada à ex-deputada María Corina Machado. A Plataforma de Unidade Democrática (PUD) apresentou um “roteiro” para “eleições livres”, condicionando a legitimidade do pleito à nomeação de novas autoridades para o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e à restauração dos direitos políticos de todos os inelegíveis, incluindo Machado. Em paralelo, Machado anunciou seu retorno iminente à Venezuela, reforçando o pedido por eleições “no mais breve tempo possível”.
Análise Conservadora e Geopolítica Sul-Americana
Analistas do campo conservador veem essa movimentação como uma tentativa de capitalizar a atual recuperação econômica venezuelana e os “ventos de mudança” na população. Fontes da diplomacia brasileira indicam que a direita sul-americana, fortalecida no continente, busca reinserir a Venezuela em fóruns como o Mercosul para pressionar o governo de Delcy Rodríguez a realizar eleições sob condições favoráveis aos seus aliados internos. Essa estratégia, contudo, pode colidir com os interesses dos Estados Unidos, que temem o aumento da instabilidade interna, desfavorável aos seus investimentos.
Argumentos Legais e a “Falta Absoluta”
Um dos argumentos da oposição para a convocação de novas eleições baseia-se na suposta “falta absoluta” do presidente da República. No entanto, a Constituição venezuelana detalha as situações que configuram “falta absoluta” – como morte, renúncia, destituição, incapacidade permanente, abandono do cargo ou revogação popular do mandato. O sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em 3 de janeiro, não está previsto legalmente, o que levou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) a determinar a interinidade do governo de Delcy Rodríguez sem prazo definido, enquanto Maduro, eleito em 2024, permanece como presidente constitucional.
“Agenda de Sabotagem” e o Desejo de Paz
O filósofo e cientista político Luiz Millán classifica a pressão por novas eleições como uma “clara agenda de sabotagem”. Segundo ele, o TSJ provavelmente determinará que as condições para novas eleições não estão dadas, pois a situação de sequestro não configura ausência definitiva. Millán ressalta que essa posição agrupa apenas setores específicos da oposição, aqueles que apostam na violência. Ele aponta que muitos venezuelanos, após experiências anteriores de conflito, preferem a “paz chavista” à “bagunça opositora”, priorizando a estabilidade e a melhoria dos serviços públicos. Esse cenário, avalia Millán, joga a favor da presidenta Delcy Rodríguez, especialmente considerando o fracasso militar dos EUA no Oriente Médio, que poderia levar Washington a intensificar a pressão no hemisfério.
Prioridades do Governo e Diálogo
Enquanto isso, o governo venezuelano foca na gestão do Estado, na recuperação econômica e no fortalecimento das Comunas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País que a prioridade é a economia, buscando um dinamismo que a população sinta que “valeu a pena”. Ele mencionou um processo de diálogo interno para criar condições para eleições, sem definir prazos. Rodríguez também destacou que a Lei de Anistia, embora ampla, exclui crimes como instigação e invasão do país, pelos quais responde María Corina Machado. Ele reiterou a disposição de incluir todos os opositores no diálogo, desde que abandonem a defesa da violência e do golpismo, prevendo que alguns oposicionistas em situação semelhante virão à Venezuela para participar das discussões e buscar um calendário eleitoral.
Fonte: www.brasildefato.com.br
