Guterres exige fim de medidas ilegais em terras palestinas
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, exigiu nesta segunda-feira (16) que Israel “revogue imediatamente” suas novas medidas sobre a propriedade de terras na Cisjordânia ocupada. Em comunicado, Guterres classificou as ações, que incluem a contínua presença israelense no território palestino, como “desestabilizadoras” e “ilegais”, citando um parecer da Corte Internacional de Justiça. Ele alertou que tais medidas “corroem a perspectiva de uma solução de dois Estados”.
Israel avança com regularização de terras e controle de locais sagrados
A declaração da ONU surge um dia após o governo de Benjamin Netanyahu aprovar a reativação de registros de terras na Cisjordânia ocupada, declarando-as como “propriedades do Estado”. Essa medida, interrompida desde 1967, foi aprovada pelo gabinete de segurança israelense em 8 de fevereiro e criticada veementemente pelo Hamas e pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). As novas políticas também ampliam a administração israelense sobre dois importantes locais sagrados na região: o Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, e o Túmulo de Raquel, em Belém.
Palestina e comunidade internacional reagem com veemência
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, solicitou uma “resposta decisiva” dos Estados Unidos e da comunidade internacional após a aprovação inicial das medidas pelo gabinete de segurança israelense. Durante uma coletiva de imprensa em Oslo (Noruega), Abbas declarou que as “graves violações” exigem uma resposta firme, pois dificultam os esforços diplomáticos e contrariam o direito internacional. A União Europeia (UE) também se posicionou contra os planos expansionistas, chamando-os de “nova escalada” e reiterando que a anexação é ilegal sob o direito internacional, pedindo que Israel reverta a decisão.
Brasil “deplora” ações e defende solução de dois Estados
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) emitiu um comunicado na terça-feira (10) em que “deplora” as medidas israelenses, alertando que elas favoreceriam a expansão de assentamentos ilegais e aumentariam a ingerência de Israel sobre o território palestino ocupado. O Itamaraty ressaltou que a decisão viola o direito internacional e resoluções do Conselho de Segurança da ONU, além de contrariar o parecer da Corte Internacional de Justiça. O Brasil reafirmou a necessidade da solução de dois Estados para uma paz justa e sustentável no Oriente Médio, instando Israel a evitar ações unilaterais que ameacem essa possibilidade.
Fonte: www.brasildefato.com.br
