Marco de Memória e Luta
O dia 17 de abril, que há 30 anos foi palco do trágico massacre de Eldorado do Carajás, com a morte de 21 trabalhadores rurais, é hoje lembrado como o Dia Nacional pela Reforma Agrária. A data simboliza a memória e a resistência na luta pela terra. Neste ano, mais de 5 mil pessoas participaram da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no local do crime, a curva do S.
Reafirmação de Compromissos e Cobrança por Justiça
Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, ressaltou que a mobilização é uma homenagem às vítimas e uma reafirmação do compromisso com a reforma agrária. Ela denunciou o episódio como um ato de violência do Estado brasileiro, em aliança com o latifúndio, que resultou na execução de trabalhadores, ferimentos graves e traumas profundos. Ferreira enfatizou a crueldade do massacre, que atingiu uma manifestação pacífica, e apontou a confluência de interesses entre latifúndio, governo estadual e empresas mineradoras.
Impunidade e Omissão do Estado
Passados três décadas, a impunidade ainda marca o massacre de Eldorado do Carajás. Ferreira criticou a falta de responsabilização, com apenas dois executores condenados e com penas cumpridas em regime semiaberto. A dirigente questionou quem deu as ordens e apontou o desaparecimento de registros de armas e a remoção de corpos como fatores que favoreceram a impunidade. Além disso, cobrou do Estado brasileiro a devida assistência e responsabilização para com os mutilados do massacre, que sofrem sequelas permanentes, e o amparo às viúvas e órfãos das vítimas.
A Luta Continua
A Marcha Nacional pela Reforma Agrária em Eldorado do Carajás reforça a importância da luta pela terra e pela justiça social no Brasil. O MST, por meio de suas mobilizações, busca não apenas honrar a memória dos que tombaram, mas também pressionar por políticas públicas que garantam o acesso à terra e a dignidade aos trabalhadores rurais. A cobrança por responsabilização e reparação para com as vítimas e seus familiares é um ponto central da continuidade desta luta histórica.
Fonte: www.brasildefato.com.br
