Abril Vermelho: Luto e Luta pela Terra em Pernambuco
Em um cenário marcado pela memória de companheiros tombados e pela busca incessante por justiça, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) intensifica suas ações em Pernambuco durante o ‘Abril Vermelho’. Este ano, a jornada de lutas pela reforma agrária já resultou em 14 novas ocupações de terras em diversas regiões do estado, acolhendo aproximadamente 4,4 mil famílias acampadas. A iniciativa, que simboliza a transformação do luto em luta, é uma resposta à histórica demanda por acesso à terra e à denúncia da impunidade em casos de violência contra trabalhadores rurais.
Expansão no Agreste e Sertão Pernambucano
A região Agreste tem sido palco de significativas ocupações. A mais recente ocorreu neste sábado (18), com 70 famílias assentadas na fazenda Heleno Paulo, em Cupira. Anteriormente, outras quatro ocupações no Agreste reuniram 920 famílias em propriedades como Minador (Caetés/Pedra e Saloá), Vado Marcolino (Jataúba) e em Taquaritinga do Norte. No Sertão, as ocupações nas fazendas Sítio Ponta da Ilha (Cabrobó) e Pontalino (Lagoa Grande) somam mais de 1,8 mil famílias, totalizando um forte contingente na luta pela terra.
Zona da Mata e Região Metropolitana: Novos Territórios de Luta
Na Zona da Mata, cerca de 550 famílias ocuparam terras em Amaraji (Fazenda Raiz), Pombos (Engenho Cajoca) e Goiana (Estação Experimental de Itapiretama). A Região Metropolitana do Recife também registra forte mobilização, com mais de 1,1 mil famílias em quatro ocupações em São Lourenço da Mata. As áreas incluem terrenos da Cidade da Copa, Usina Bulhões e os engenhos Camaçari e Curupaty, estes últimos pertencentes ao grupo empresarial Petribu, que atua no plantio de cana-de-açúcar e pecuária.
Conflitos e Reivindicações Históricas
Um coordenador do MST na Região Metropolitana relata que, mesmo com o assentamento Maria Paraíba já existente na área, o grupo Petribu tem avançado sobre terras reivindicadas pelo movimento. A expansão para áreas ociosas e territórios vizinhos, como a Usina Bulhões e os engenhos Camaçari e Curupaty, é uma resposta direta a essas tensões. Ele também menciona o caso de um morador de uma comunidade rural próxima, assassinado por seguranças de uma usina, o que motivou a comunidade a buscar apoio no MST para defender seus direitos e combater injustiças.
Fonte: www.brasildefato.com.br
