Decisão judicial estende prisão preventiva até domingo, sob alegações de vínculos com o Hamas.
Um tribunal israelense prorrogou por mais cinco dias a detenção de Thiago Ávila, ativista brasileiro, e Saif Abu Keshek, de nacionalidade espanhola e palestina. Ambos foram capturados na semana passada enquanto participavam da flotilha Global Sumud, que tinha como objetivo furar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza. A decisão, que mantém os ativistas sob custódia ao menos até o próximo domingo, foi confirmada pela organização de direitos humanos Adalah e pela esposa de Ávila, Lara Souza.
Ativistas presos sem provas e com acesso restrito à defesa.
As advogadas de Thiago Ávila pretendem recorrer da decisão. Lara Souza relatou à imprensa que não foram apresentadas queixas formais contra o ativista, que continua detido para interrogatórios com base em “suspeitas” sem apresentação de provas concretas. A defesa alega que o acesso a “informações sigilosas” utilizadas pelo juiz para justificar a continuidade da prisão foi negado, configurando uma violação ao direito de defesa.
Israel acusa ativistas de ligação com o Hamas; Espanha e Brasil pedem libertação.
Ávila e Keshek foram levados a Israel após serem detidos próximo à costa da Grécia. O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, acusa os dois de terem ligações com o Hamas, movimento que governa Gaza e que Israel considera uma organização terrorista. As autoridades israelenses afirmam que os ativistas têm vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelos Estados Unidos por agir em nome do Hamas. Tanto a Espanha quanto o Brasil exigiram a libertação dos ativistas, com o governo espanhol classificando a detenção como “ilegal” e “inaceitável”, ressaltando a ausência de provas apresentadas por Israel.
ONG denuncia maus-tratos; flotilha visava romper bloqueio humanitário.
A ONG Adalah, que conseguiu visitar os detidos, denunciou supostos “maus-tratos” sofridos por eles na prisão, alegações que foram refutadas pelas autoridades israelenses. A flotilha Global Sumud, da qual Ávila e Keshek faziam parte, era composta por cerca de 50 embarcações e tinha como objetivo levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, território palestino que enfrenta um severo bloqueio naval israelense e uma crise humanitária agravada pela guerra. Esta é a segunda prorrogação da prisão preventiva dos ativistas, que já haviam tido a detenção validada por dois dias no domingo anterior.
Fonte: www.cartacapital.com.br
