Expulsão de Diplomata Iraniano Marca Escalada nas Relações Argentina-Irã
O principal representante diplomático do Irã na Argentina, Mohsen Soltani Tehrani, deixou o país neste sábado (4), cumprindo o prazo de 48 horas estabelecido pelo governo do presidente Javier Milei para sua saída. Tehrani, encarregado de negócios iraniano em Buenos Aires, havia sido formalmente declarado persona non grata pela chancelaria argentina na quinta-feira (2). A confirmação da partida partiu do chanceler argentino Pablo Quirno, que anunciou o fato pelas redes sociais, marcando uma consolidação na escalada diplomática iniciada na mesma semana entre as duas nações.
Reação Argentina a Declarações Irã-EUA Abre Crise Diplomática
A decisão de expulsar o diplomata iraniano foi tomada em resposta a declarações do governo do Irã dirigidas à Casa Rosada, motivadas pela classificação da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista pelo governo de Javier Milei. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores argentino classificou as manifestações iranianas como acusações “falsas, ofensivas e improcedentes” dirigidas ao país e suas autoridades. Buenos Aires também considerou as falas de Teerã como uma “inaceitável ingerência” nos assuntos internos argentinos e uma distorção deliberada de decisões tomadas em conformidade com o direito internacional.
Irã Nega Acusações e Critica Medida Argentina
Em contrapartida, o governo iraniano reagiu à expulsão classificando a medida como um “grave erro”, acusando o governo Milei de violar princípios do direito internacional. Teerã reiterou sua negativa quanto a qualquer envolvimento no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que resultou na morte de 85 pessoas. O Irã sustenta que as acusações argentinas são infundadas e possuem motivações políticas.
Expulsão Reflete Alinhamento Externo de Milei com EUA e Israel
A expulsão de Soltani Tehrani se insere em um contexto mais amplo de alinhamento externo promovido por Javier Milei, com forte aproximação aos Estados Unidos e Israel. Essa movimentação se intensificou desde o fim de fevereiro, com ataques verbais frequentes de Milei ao Irã e o reforço de sua associação política com Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Em março, o governo argentino chegou a admitir a possibilidade de oferecer apoio militar aos Estados Unidos em caso de um pedido formal da Casa Branca. Essa aproximação também se manifestou na participação de Milei no lançamento do “Escudo das Américas”, uma iniciativa de segurança hemisférica impulsionada por Trump.
Fonte: www.brasildefato.com.br
