Fiocruz lança Rede Nacional STEM na Saúde para combater desigualdade de gênero e impulsionar mulheres na ciência

Desafios persistem na ciência brasileira

Apesar dos avanços, a presença de meninas e mulheres na ciência ainda enfrenta imensos obstáculos estruturais. Cristina Araripe, coordenadora nacional da área de divulgação científica da Fiocruz, destaca que a falta de acesso à educação básica para dois terços das meninas no mundo é um fator determinante. Para aquelas que superam essa barreira, a jornada acadêmica e profissional é marcada pelo enfrentamento diário ao patriarcado, à misoginia, ao machismo e ao racismo estrutural.

“Nós, mulheres, somos maioria na sociedade, mas a maioria sequer teve o direito de sonhar em ingressar numa universidade, quanto mais seguir a carreira de pesquisadora ou cientista”, lamenta Araripe.

Dossiê e iniciativas anteriores alertam para a urgência

Em 2022, a Fiocruz lançou um dossiê temático que reuniu depoimentos de mulheres cientistas que lideraram pesquisas cruciais durante a pandemia, como Margareth Dalcolmo e Marilda Siqueira. O material também deu voz a pesquisadoras indígenas e antropólogas que denunciaram o abandono de comunidades originárias. Iniciativas como ‘Meninas Negras na Ciência’ e ‘Mais Meninas Baianas na Ciência’ foram apresentadas como um chamado à ação. Contudo, o diagnóstico quatro anos depois é desanimador: pouca coisa mudou.

Rede Nacional STEM na Saúde: um novo capítulo para a equidade

Em 2025, a Fiocruz, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o CNPq, dará um passo significativo com o lançamento da Rede Nacional de STEM na Saúde. O acrônimo STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) representa áreas historicamente dominadas por homens. O subtítulo da iniciativa é claro: “Promoção da equidade de gênero na ciência, na tecnologia e na inovação”.

Segundo Araripe, a rede é uma resposta à pressão legítima da juventude. “O protagonismo feminino, nesse caso, envolve sobretudo as jovens. Elas têm pressa, e a gente precisa ouvi-las e criar condições reais para que ocupem todos os espaços”, defende.

A luta pela ocupação de espaços na ciência

A eleição da primeira mulher presidenta da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em 2018, marcou um momento de expectativa para programas voltados a mulheres e meninas na ciência, que foram iniciados na fundação. A pandemia, no entanto, interrompeu o avanço. A data instituída pela ONU em 22 de dezembro serve como um lembrete anual da luta contínua. “A gente celebra, mas sobretudo denuncia. O Brasil é um país com muitas desigualdades. E a ciência ainda é um território minado para meninas negras, indígenas, periféricas.”

“O lugar de mulher não é só onde ela quiser. É também nos laboratórios, nas universidades, nos centros de pesquisa, nas academias de ciência. Por que não?”, conclui Araripe, reforçando a necessidade de desmistificar a ideia de que a ciência não é um espaço para mulheres.

Onde acompanhar o debate

O jornal Conexão BdF, que abordou o tema, vai ao ar em duas edições diárias, de segunda a sexta-feira: às 12h e às 17h, na Rádio Brasil de Fato (98.9 FM na Grande São Paulo), com transmissão simultânea pelo canal do Brasil de Fato no YouTube.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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