Fim do Pacto Nuclear New START entre Rússia e EUA: O Mundo à Beira de uma Nova Corrida Armamentista?
Acordo histórico que limitava arsenais nucleares expira sem renovação, aumentando temores de escalada militar e a incerteza sobre o futuro do controle de armas globais, com a China como ponto central do debate.
Sem Acordo, Futuro Nuclear Incerto
Um dos pilares do controle de armas nucleares desde a Guerra Fria, o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido como New START, chegou ao fim sem sinalizações claras de renovação por parte de Rússia e Estados Unidos. O pacto, que limitava o arsenal estratégico de cada potência a 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento, expira nesta quarta-feira, gerando apreensão global sobre uma possível nova corrida armamentista. Líderes religiosos e a comunidade científica têm intensificado apelos por um entendimento de última hora, temendo uma escalada que ameaça a paz internacional.
A Ascensão da China e o Debate sobre Inclusão
O rápido crescimento do arsenal nuclear chinês, com cerca de 600 ogivas e um aumento significativo em 2023, tem sido citado pelo ex-presidente americano Donald Trump como motivo para o abandono do New START. Trump expressou o desejo de negociar um novo acordo que inclua a China, uma proposta rejeitada por Pequim, que considera a demanda “não justa nem razoável” diante da disparidade de arsenais. Enquanto isso, a Rússia, que possuía 5.459 ogivas e os EUA 5.177, declara-se “pronta” para um cenário sem limites nucleares, após uma proposta de renovação por um ano ter sido ignorada.
Deterioração da Confiança e o Risco de Escalada
Além de limitar ogivas, o New START permitia o controle mútuo de instalações nucleares através de inspeções e troca de dados, crucial para evitar ataques acidentais. No entanto, a pandemia de Covid-19 suspendeu as inspeções em 2020, e a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 levou à rejeição de vistorias e troca de informações por parte de Moscou. Essa falta de transparência e a crescente desconfiança entre as potências, somadas a investimentos em instalações militares e discussões abertas sobre testes nucleares, elevam o risco de uma corrida armamentista ainda mais perigosa. Especialistas alertam que, sem o tratado, ambos os países poderiam dobrar o tamanho de seus arsenais existentes.
Europa em Alerta e o Futuro da Não Proliferação
O fim do New START reacende o debate nuclear na Europa, com países como Alemanha, França e Reino Unido explorando a possibilidade de um sistema de defesa nuclear europeu. Contudo, há o temor de que a Rússia possa pressionar pela inclusão dessas nações em futuros acordos. A situação também lança uma sombra sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) de 1970, que depende do compromisso das potências nucleares com o desarmamento. Organizações como a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN) expressam preocupação com o aumento do risco do uso de armas nucleares em um cenário sem o New START, mesmo com os limites pré-existentes.
Fonte: www.cartacapital.com.br
