Estudantes da UnDF protestam contra transferência de campus em Ceilândia e alertam para risco de evasão e aumento de custos

Comunidade acadêmica em alerta

Estudantes da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF) manifestam forte oposição à transferência de cursos do Campus Norte para um prédio alugado em Ceilândia. A decisão, anunciada após o período de férias e sem consulta prévia a professores e alunos, envolve um contrato de aluguel estimado em mais de R$ 110 milhões para cinco anos. A comunidade acadêmica, embora defenda a expansão da universidade para regiões como Ceilândia, questiona a forma como a transferência foi conduzida e a falta de planejamento para os alunos já matriculados.

Pesquisa aponta alto risco de evasão e dificuldades

Um levantamento realizado pelo Diretório Central Acadêmico (DCA) com 454 estudantes indica que 69% consideram a mudança negativa. Alarmantemente, 226 alunos afirmam que trancariam seus cursos, enquanto outros 88 preveem sérias dificuldades para continuar os estudos. Para estudantes como Jhoni Alvim, morador de Planaltina (GO), o aumento no tempo de deslocamento — que já é de quase duas horas para o Campus Norte — tornaria a graduação inviável em Ceilândia. Além disso, 62% dos estudantes que trabalham ou estagiam relatam que será impossível ou muito difícil conciliar suas atividades com o novo trajeto.

Críticas sobre o contrato e a gestão

A vice-presidente do sindicato dos professores da UnDF, Kíssila Mendes, compartilha das preocupações, questionando a rapidez do processo e a dispensa de licitação para o contrato de aluguel. Ela alerta para o impacto financeiro, com quase metade do fundo da universidade podendo ser destinado ao aluguel, em detrimento de bolsas, projetos e políticas de permanência estudantil. O sindicato também critica a falta de instâncias democráticas de decisão, como o Conselho Universitário, que ainda não foi estabelecido.

Ameaça a bolsas e auxílios estudantis

Outro ponto crítico é a origem dos recursos para o pagamento do aluguel milionário. Representantes do diretório acadêmico temem que o dinheiro destinado a políticas de permanência estudantil, como bolsas de extensão, auxílios e projetos de iniciação científica, seja desviado para cobrir os custos do aluguel de um prédio privado. O movimento estudantil defende que o governo priorize a construção de sedes próprias em terrenos públicos já disponíveis, em vez de alugar espaços privados, especialmente porque o Campus Norte não possui custos de aluguel.

Falta de diálogo e gestão democrática questionada

Estudantes e representantes sindicais alegam que a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) ignorou o princípio da gestão democrática do ensino. Bárbara Oliveira, representante do DCA UnDF, afirma que a resistência não é contra a expansão para Ceilândia, mas contra o modelo imposto, defendendo a construção em terrenos públicos já existentes. Suellen Gonçalves, diretora do sindicato, critica o que chama de “desvio da finalidade do recurso do fundo da universidade” e a falta de diálogo com a comunidade acadêmica. A reitoria, segundo Oliveira, tem agido de forma arbitrária e sem diálogo com as entidades estudantis.

O que diz a UnDF

Em resposta, a UnDF afirmou que a ocupação do novo espaço é resultado de planejamento técnico e estudos sobre a distribuição geográfica dos estudantes, índices de evasão, matrícula e mobilidade. A universidade defende que a escolha de Ceilândia, a região mais populosa do DF, faz parte de sua política de expansão territorial e visa ampliar o acesso à educação superior pública, reduzir a evasão e diminuir o tempo e os custos de deslocamento para os estudantes da região, que representaram o maior número de inscrições nos processos seletivos recentes.

Fonte: www.brasildefato.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *