Eduardo Bolsonaro no Comando Financeiro de “Dark Horse”
Uma nova reportagem do portal Intercept Brasil, publicada nesta sexta-feira (15), lança luz sobre a suposta ligação financeira entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro na produção do filme “Dark Horse”. Segundo a matéria, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria atuado como um dos principais gestores do projeto, exercendo controle financeiro sobre a obra que retrata a campanha presidencial de 2018.
A publicação surge dois dias após o mesmo veículo divulgar trechos de conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), onde o congressista solicita mais verbas para o pagamento dos atores envolvidos na produção.
Detalhes do Contrato e Poderes de Eduardo Bolsonaro
Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e com assinatura digital de Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024, o coloca, juntamente com o deputado Mário Frias (PL-SP) e a produtora GoUp Entertainment, como responsável por diversas atividades cruciais para o desenvolvimento do filme. Entre suas atribuições estariam a elaboração de estratégias de financiamento, preparação de documentos para investidores, captação de recursos, busca por incentivos fiscais, patrocínios e ações de product placement. O contrato também previa sua participação ativa nas decisões relativas à gestão do orçamento do projeto.
Adicionalmente, uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024, citada na reportagem, classifica Eduardo Bolsonaro como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros investidos por ele no projeto. No entanto, a confirmação de que este aditivo tenha sido formalmente assinado ainda não foi apresentada.
Intermediação e Fluxo de Recursos
O Intercept Brasil detalha conversas onde Eduardo Bolsonaro discute com o banqueiro Daniel Vorcaro, através do empresário Thiago Miranda, a necessidade de manter os recursos financeiros combinados já nos Estados Unidos. O objetivo seria evitar entraves com remessas internacionais a partir do Brasil, que, segundo o ex-deputado, poderiam levar até seis meses para serem concluídas se feitas gradualmente. Ele defendia o envio do “máximo possível” pelo sistema então em uso.
Thiago Miranda teria atuado como elo entre Vorcaro, Mário Frias e a família Bolsonaro nas negociações financeiras do projeto. Estima-se que R$ 60 milhões tenham sido repassados pelo dono do Banco Master em seis parcelas ao longo de 2025.
Dinâmica de Pagamentos e Conexões Empresariais
A reportagem aponta que parte dos recursos negociados com Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse” foi transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas e supostamente controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. Documentos societários indicam que o escritório do advogado Paulo Calixto, que auxiliou Eduardo Bolsonaro em seu processo imigratório nos EUA, figura como agente legal do fundo.
O texto também relembra investigações anteriores sobre a produtora GoUp Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama. A produtora é responsável pela coordenação das gravações e possui associações com o Instituto Conhecer Brasil, uma organização sob investigação por supostas irregularidades no recebimento de R$ 2 milhões em emendas parlamentares. Mário Frias é um dos deputados que destinaram recursos ao instituto e é procurado pelo STF para esclarecimentos sobre essas emendas.
Fonte: www.congressoemfoco.com.br
