Debate em Porto Alegre Une Lutas Globais Contra o Imperialismo e a Extrema-Direita

Resistência e Articulação contra o Avanço Global

A cidade de Porto Alegre foi palco da conferência “Resistências, Articulações e Alternativas Democráticas”, um evento que reuniu lideranças políticas e sociais de diversos países. A discussão central girou em torno da construção de respostas conjuntas diante do avanço da extrema-direita, do fortalecimento da mobilização social e da necessidade de enfrentar o poder do capital financeiro e das potências imperialistas. O encontro, parte da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, destacou que o fascismo é um fenômeno global ligado à crise do capitalismo, que se manifesta em autoritarismo, concentração de renda e conflitos geopolíticos.

Críticas ao Capital Financeiro e Propostas de Ruptura

Fernanda Gadea, da Attac Espanha, apresentou propostas concretas para enfrentar o poder do capital financeiro, como a fiscalidade progressiva, o controle de fluxos de capital, a anulação de dívidas ilegítimas e a reestatização de serviços públicos. Gadea enfatizou que a dívida “mata” ao impedir investimentos sociais e aprofundar desigualdades, questionando a legitimidade de dívidas impostas a países. Ela também criticou a ideia de “transição ecológica” como solução isolada, defendendo uma mudança mais profunda e social. A necessidade de reconhecer a dívida histórica dos países centrais e a importância de articulações globais, como encontros ecossocialistas, foram pontos centrais em sua fala.

Colômbia: Da Revolta Social à Disputa Institucional

Donka Atanassova, do Pacto Histórico da Colômbia, compartilhou a experiência de mobilização social que levou à mudança política no país. Ela ressaltou que a vitória de Gustavo Petro e Francia Márquez em 2022 foi fruto de anos de organização e luta de diversos movimentos sociais, que perderam o medo e mudaram o senso comum da sociedade. Medidas como a redistribuição de terras e a valorização salarial foram destacadas, mas Atanassova alertou para a força do poder global que ainda precisa ser confrontado. A dirigente também enfatizou a importância de a luta continuar mesmo com um governo de esquerda, dada a escala do poder enfrentado.

Europa: Desafios da Extrema-Direita e a Luta por Direitos

Manon Aubry, eurodeputada francesa, alertou para o crescimento coordenado da extrema-direita no Parlamento Europeu, que ataca direitos fundamentais como o aborto e os direitos LGBTQIA+. Ela defendeu que a esquerda deve enfrentar ativamente essa batalha, utilizando mandatos políticos como ferramenta de resistência e apoiando mobilizações extraparlamentares. A solidariedade internacional, especialmente com a Palestina, foi apontada como uma responsabilidade crucial. Aubry reforçou a união entre esquerda e movimentos sociais como caminho para enfrentar o fascismo e construir esperança.

América Latina e a Centralidade da Solidariedade Internacional

A análise geopolítica de Ana Maria Prestes destacou a pretensão dos Estados Unidos de controlar o hemisfério americano, utilizando diversas formas de intervenção. Ela ressaltou que o cerco a Cuba é um cerco a todos na América Latina e que a solidariedade internacional é uma necessidade concreta de sobrevivência. Prestes, ao resgatar a tradição antifascista no Brasil, reforçou a urgência histórica da organização dos antifascistas.

Continuidade, Estratégia e a Luta Global

Valter Pomar, da Fundação Perseu Abramo, avaliou a conferência como um passo importante, mas defendeu a continuidade e a consolidação do processo de articulação. Ele situou a disputa em escala global, com a América Latina e a África como regiões estratégicas, e associou o combate ao fascismo ao enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo. Pomar alertou que o cenário global tende a se agravar, exigindo mobilizações em larga escala e a combinação de resistência com um horizonte político transformador, lembrando que o objetivo é “vencer”.

Unidade e a Dimensão Internacional do Encontro

Roberto Robaina, vereador de Porto Alegre, ressaltou o caráter internacional da conferência e a importância de superar o “imobilismo da esquerda” através da unidade. Ele destacou que a construção de um bloco antifascista exige respeito às diferenças e a preservação de objetivos comuns. A realização do evento em espaços da Ufrgs foi vista como um sinal de capacidade de articulação.

Desinformação, Capital e Controle Social no Cotidiano

Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, chamou atenção para os desafios cotidianos da desinformação por monopólios de mídia e a repressão política no ambiente de trabalho. Ele ressaltou a importância das articulações internacionais e de experiências de democracia participativa como o Orçamento Participativo para construir concretamente “outro mundo”.

Mulheres, Territórios e a Luta Cotidiana

Liége Rocha, do Fórum Social Mundial, enfatizou o protagonismo das mulheres nas lutas sociais e políticas, destacando a importância das articulações entre diversos movimentos sociais para enfrentar o fascismo, o capitalismo e o imperialismo. Ela defendeu a ampliação dessas articulações nos territórios e no cotidiano, ressaltando que a luta de ideias acontece “olho no olho” e em todos os espaços da vida.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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