Crise Climática Eleva Preço do Cacau e Altera “Sabor do Chocolate”: Páscoa de 2026 Já Sente Impacto

Aumento nos Custos da Matéria-Prima

A Páscoa de 2026 está mais cara para os consumidores, e muitos percebem uma mudança no sabor dos chocolates. A crise climática global é a principal responsável pelo encarecimento e pela escassez do cacau, impactando diretamente a composição dos produtos que chegam às prateleiras. Projeções indicam um risco de escassez do insumo até 2050 se o aquecimento global não for contido.

Eventos climáticos extremos, como secas e chuvas irregulares, afetam a produtividade agrícola. Na África Ocidental, que responde por cerca de 70% da produção mundial, houve uma redução drástica na oferta. Pragas, como um fungo que atingiu plantações na Costa do Marfim e em Gana, agravaram a situação, elevando os preços do cacau a patamares históricos. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, o mercado global de cacau registrou picos de preço, com a tonelada superando US$ 10 mil, chegando a US$ 12.000, um salto expressivo em relação aos US$ 2.500 anteriores. Atualmente, os preços se estabilizaram em torno de US$ 5.000 a US$ 5.500, ainda considerados elevados pelo setor.

Impacto no Mercado Brasileiro

No Brasil, a pressão climática já se reflete no bolso do consumidor. O preço do chocolate subiu quase 25% nos últimos 12 meses, de acordo com dados da inflação do IPCA-15. Especialistas apontam a necessidade de aumentar a produtividade nacional, já que o país ainda não é autossuficiente em cacau, devido à falta de investimentos e renovação das lavouras. Contudo, o cenário de oferta global restrita abre oportunidades para o crescimento da produção brasileira.

A Mudança no “Sabor Chocolate”

Com a matéria-prima mais cara, a indústria de chocolate global tem reconfigurado suas estratégias. Algumas empresas optaram por reduzir a gramatura de seus produtos, ajustar receitas e diminuir o teor de cacau para manter as margens de lucro. Essa readequação leva ao surgimento do chamado “sabor chocolate”: produtos com menor concentração de cacau e maior adição de açúcar, gorduras e aromatizantes. Pela legislação brasileira, chocolates devem conter no mínimo 25% de cacau; abaixo disso, são classificados como “sabor chocolate”, mesmo mantendo aparência e preço similares aos tradicionais. Para o consumidor, a diferença se manifesta em uma textura mais oleosa, sabor menos intenso e uma percepção de produto “diferente”, além de potenciais impactos na dieta e saúde.

Marcas Apostam em Cacau Brasileiro e Sustentabilidade

Em contrapartida a essa tendência de redução de custos, algumas empresas buscam se diferenciar ao manter um alto teor de cacau e ingredientes naturais. A Dengo, marca brasileira de chocolates premium, é um exemplo. Fundada em 2017, a empresa opera com cacau 100% brasileiro, comprando diretamente de pequenos e médios produtores no sul da Bahia. Apesar da alta histórica do cacau, a Dengo manteve suas receitas e o teor do ingrediente, apostando em qualidade e origem como diferenciais. Essa estratégia aumenta a exposição ao preço, mas a empresa busca compensar com eficiência operacional e fortalecimento da marca, confiando que a qualidade e o posicionamento sustentável justifiquem o valor agregado, mesmo em um cenário adverso.

A tendência é que, enquanto parte da indústria adota o “sabor chocolate” como estratégia de custo, outras marcas invistam na diferenciação, sustentabilidade e maior valor agregado, aproveitando o contexto de mercado para fortalecer seu posicionamento.

Fonte: exame.com

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