Medidas da FIFA Consideradas Inadequadas por Especialistas
Um grupo de 20 cientistas de diversas partes do mundo enviou um alerta à FIFA, declarando que os protocolos atuais para lidar com o calor extremo na Copa do Mundo masculina de 2026 são insuficientes e podem colocar em risco a saúde dos jogadores. A carta aberta, assinada por especialistas em saúde, clima e desempenho esportivo, aponta que as diretrizes da entidade estão desalinhadas com as evidências científicas mais recentes.
Os pesquisadores defendem mudanças urgentes, incluindo pausas mais longas para resfriamento e critérios mais claros para adiar ou suspender partidas em condições climáticas extremas. A preocupação se baseia no fato de que 14 dos 16 estádios que sediarão os jogos podem registrar níveis perigosos de calor durante o torneio, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México.
Temperaturas Elevadas e Fatores Agravantes
Em regiões do sul dos Estados Unidos e norte do México, as temperaturas máximas diárias frequentemente oscilam entre os 30°C e podem se aproximar dos 40°C em períodos mais quentes. Os cientistas enfatizam que o risco para os atletas é amplificado pela combinação de alta umidade, velocidade do vento e intensidade da radiação solar, fatores que elevam o estresse térmico no organismo.
Uma análise da organização World Weather Attribution (WWA) indica que o risco de calor intenso e umidade é significativamente maior na Copa de 2026 em comparação com a edição de 1994, realizada também na América do Norte. Segundo a WWA, as mudanças climáticas quase dobraram o risco de condições extremas.
O Que os Cientistas Propõem
Entre as principais recomendações dos especialistas estão o adiamento ou suspensão de partidas com índice de Temperatura de Globo Úmido (WBGT) acima de 28°C – um patamar considerado inseguro pela FIFPRO, sindicato global dos jogadores. Eles também pedem pausas de resfriamento de pelo menos seis minutos, melhores estruturas de refrigeração para os atletas e atualizações frequentes das diretrizes com base em novas pesquisas.
“A segurança dos jogadores é uma preocupação imediata e urgente porque as coisas podem dar errado muito rapidamente quando as pessoas superaquecem”, afirmou Andrew Simms, diretor do New Weather Institute e coordenador da carta. Douglas Casa, da Universidade de Connecticut, reforçou a necessidade de pausas mais longas, sugerindo pelo menos cinco minutos, idealmente seis, para cada pausa de hidratação.
Resposta da FIFA e Medidas em Vigor
A FIFA informou que utilizará um “modelo escalonado de mitigação do calor”, adaptando as medidas às condições em tempo real. A entidade prevê suporte meteorológico dedicado, monitoramento do WBGT e do índice de calor para orientar decisões. O calendário foi planejado com ajustes nos horários das partidas, limitação de jogos nos períodos mais quentes e prioridade para estádios cobertos.
Atualmente, a FIFA prevê pausas obrigatórias de três minutos para resfriamento em cada tempo, independentemente das condições climáticas, e bancos climatizados para comissões técnicas e jogadores reservas em estádios ao ar livre. A métrica WBGT é utilizada como referência, com precauções definidas quando o índice atinge ou ultrapassa 32°C, conforme o manual de atendimento emergencial da entidade.
Fonte: olhardigital.com.br
