Câmara do Rio Homenageia Lutadores Históricos do MST e Movimentos pela Reforma Agrária e Segurança Alimentar
Sessão solene reconhece trajetórias de militantes, coletivos e instituições em prol da agroecologia e justiça social no estado.
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro realizou na noite de sexta-feira (8) uma sessão solene em homenagem à luta de militantes históricos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de diversas organizações que atuam em prol da reforma agrária, da segurança alimentar e da agroecologia no estado. A iniciativa, organizada pela vereadora Maíra do MST (PT), destacou a conexão entre as lutas do campo e da cidade.
Conexão entre Campo e Cidade e a Luta por Justiça Social
Em seu discurso, a vereadora Maíra do MST ressaltou que a fome é fruto da desigualdade e que a superação dos dados alarmantes sobre insegurança alimentar passa pela justiça social, políticas públicas eficazes e a escuta dos territórios. “A luta por território, por moradia, é uma expressão da luta pela reforma agrária nas cidades. Nosso compromisso com a segurança alimentar é também em defesa do território para construção de um projeto de vida para a classe trabalhadora e para a juventude”, afirmou.
São Francisco de Assis e a Agroecologia
O dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile, ao receber a Medalha São Francisco de Assis, comparou o santo católico ao primeiro agroecologista. “Contam as histórias que ele dialogava com os animais, com as plantas, com as águas. Então, saibam todos vocês, que o primeiro agroecologista em nosso planeta Terra foi São Francisco de Assis. Essa medalha resgata a tradição revolucionária desse que depois foi classificado como santo e que nos ajuda a inspirar as lutas atuais, independente da fé religiosa que cada um cultua”, discursou.
Homenagem às Mulheres e à Reforma Agrária
A deputada Marina do MST (PT) dedicou a Medalha Chiquinha Gonzaga às mulheres, às cozinhas solidárias e às acampadas e assentadas da reforma agrária do Rio de Janeiro. Ela enfatizou a importância da luta diária dessas mulheres, incluindo as de quilombos, comunidades tradicionais, caiçaras e indígenas, na produção de alimentos saudáveis e na garantia da soberania alimentar. “A luta pela terra é, acima de tudo, pela vida”, declarou.
Memória, Luta e Conquistas no Campo
A cerimônia também homenageou o militante Oziel Alves, símbolo de resistência do MST, e Dona Zeni, agricultura urbana aposentada. Em um dos momentos mais emocionantes, o dirigente estadual do MST, Mateus Silva, relembrou a trajetória de seu pai, Cícero Guedes, desde a situação análoga à escravidão até a conquista de seu pedaço de terra, que se tornou referência em produção agroecológica. Cícero Guedes recebeu post-mortem a Medalha Pedro Ernesto. Mateus Silva também comentou a conquista do Assentamento Cícero Guedes, em Campos Goytacazes, em uma área com histórico de violações durante a ditadura militar, representando uma “justiça social muito grande” para 185 famílias.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) também exaltou os homenageados e mencionou a criação recente do Assentamento 15 de Abril, no norte fluminense. A vereadora Maíra do MST explicou que a reforma agrária popular defende que direitos como educação, saúde e cultura acompanhem a conquista da terra, garantindo condições dignas de residência e vida aos trabalhadores.
João Pedro Stédile destacou a importância dos camponeses do Rio de Janeiro na produção de alimentos agroecológicos e orgânicos, suprindo parte da demanda urbana em um estado majoritariamente dependente de alimentos externos. A deputada Marina do MST reforçou que as lutas do movimento dialogam com a sociedade ao propor um projeto para o benefício de todos, e que o reconhecimento do trabalho de organizações e coletivos pela soberania alimentar é fundamental para a democracia.
Fonte: www.brasildefato.com.br
