O paradoxo do álcool e o sono
Muitas pessoas acreditam que uma dose de álcool antes de ir para a cama é a chave para adormecer rapidamente. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista científica Sleep Medicine Reviews desmistifica essa crença popular, revelando que, embora o álcool possa de fato acelerar o adormecer, ele compromete seriamente a qualidade do sono.
Impacto no sono REM e na arquitetura do sono
A análise de 27 estudos com adultos saudáveis demonstrou que o consumo de álcool, mesmo em baixas doses, interfere significativamente no sono REM (Rapid Eye Movement). Esta fase é crucial para a consolidação da memória, o processamento emocional e a recuperação cerebral. O estudo constatou que o álcool atrasa o início do sono REM e reduz sua duração total, além de diminuir o tempo necessário para atingir o sono profundo.
Prejuízos mesmo com pouca bebida
Os pesquisadores observaram que quanto maior a quantidade de álcool consumida, maiores são os prejuízos. Surpreendentemente, as alterações na arquitetura do sono, que é a organização das diferentes fases do descanso noturno, foram notadas mesmo após o consumo de baixas doses. Em média, o álcool aumentou em 18 minutos o tempo para entrar no sono REM e reduziu sua duração em 11,3 minutos.
Consequências adicionais para a saúde
Além de afetar o sono REM, o álcool atua como relaxante muscular, o que pode levar a uma maior instabilidade respiratória, roncos mais frequentes e intensos. Em indivíduos predispostos, o consumo de álcool pode agravar a apneia obstrutiva do sono. Como o corpo metaboliza o álcool em poucas horas, o consumo próximo à hora de dormir pode deixar o cérebro hiperexcitado, contribuindo ainda mais para a fragmentação do sono e prejudicando a sensação de descanso reparador.
Fonte: olhardigital.com.br
