Acordo Mercosul-UE: Especialista Alerta para Riscos Ambientais e Prejuízos a Pequenos Agricultores

Acordo Comercial Sob Fogo Cruzado

A cientista política Florence Poznanski expressou preocupações significativas sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), aprovado preliminarmente em dezembro, classificando-o como prejudicial para pequenos agricultores e arriscado para as metas ambientais globais. Segundo Poznanski, o acordo contraria a visão defendida em conferências ambientais, que busca apoiar a agricultura familiar, a produção local de alimentos, a redução de transporte e o uso de agrotóxicos.

Mercosul como Receptor de Resíduos Europeus

A especialista aponta que o acordo pode consolidar o papel do Mercosul, especialmente do Brasil, como produtor de commodities e receptor de produtos descartados pela Europa. Poznanski alerta que agrotóxicos proibidos na Europa, devido a legislações mais rigorosas, podem ser vendidos para países do Mercosul. Em 2024, a UE exportou quase 122 mil toneladas de agrotóxicos cujo uso é proibido em seu território, um aumento de 50% em relação a 2018. A maioria desses produtos é destinada a países de baixa e média renda, como o Brasil, que já é um dos maiores mercados mundiais de agrotóxicos.

Impactos Ambientais e Sociais em Debate

Poznanski também levanta a questão da falta de garantias ambientais no acordo. Não há sanções previstas caso algum país signatário descumpra limites climáticos. No Brasil, o acordo pode agravar o desmatamento em áreas de cultivo de commodities como soja e carne, além de intensificar a violência no campo. Na Europa, teme-se a desvalorização dos produtos de agricultores locais, que já enfrentam condições precárias de trabalho, com a concorrência de commodities a baixo custo e alto impacto ambiental.

Protestos na França e Próximos Passos

Diante desse cenário, agricultores franceses têm realizado protestos em várias regiões da França, expressando descontentamento com a proposta. A pressão do setor rural influenciou a posição contrária do presidente francês Emmanuel Macron ao acordo. Outros líderes europeus, como os da Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria, também votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve. O próximo passo é a reunião do Conselho da União Europeia, onde se espera que a Comissão Europeia obtenha o apoio mínimo necessário para a aprovação. Caso aprovado pela UE, o acordo ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos de cada país do Mercosul, incluindo o Congresso Nacional brasileiro. Apesar do apoio do presidente Lula, movimentos sociais como a Via Campesina e o MST criticam o acordo, considerando-o um retrocesso socioeconômico e um fator de desindustrialização para o Sul Global.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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