Protesto e Reivindicações Populares
Representantes de 69 blocos de rua da capital paulista realizaram um protesto na noite de quinta-feira (12), exigindo melhores condições para a realização do carnaval de rua. Os manifestantes caminharam da Praça Dom José Gaspar até a sede da prefeitura, em um ato marcado por música e dança, com o lema de um carnaval mais livre e popular. Entre as principais reivindicações estão a ampliação do horário dos desfiles, que atualmente é limitado ao horário comercial, a liberação de espaços públicos sem a imposição de grades e tapumes, e a disponibilização de mais banheiros e água para os participantes. Blocos que optarem por atividades noturnas correm o risco de multas de até R$ 15 mil.
Críticas à Gestão do Carnaval em São Paulo
Lira Alli, organizadora do Arrastão dos Blocos, criticou a gestão municipal em entrevista ao Brasil de Fato, afirmando que em São Paulo o carnaval encerra mais cedo do que em qualquer outro lugar do Brasil. Ela acusa o prefeito Ricardo Nunes de priorizar uma disputa de popularidade em detrimento da essência do carnaval de rua, desrespeitando quem, segundo ela, realmente constrói a festa: os blocos tradicionais e comunitários. Lira também questiona a restrição do carnaval à noite, argumentando que isso impede a classe trabalhadora de participar da folia após o expediente, forçando-os a buscar festas privadas.
Cortes de Verba e Prioridade ao Lucro Privado
Além das restrições de organização, os manifestantes apontam para um corte significativo de R$ 12 milhões no orçamento destinado à estrutura e organização do carnaval de rua neste ano. Em comparação, o investimento em 2025 foi de R$ 42,5 milhões, com R$ 27,8 milhões de patrocínio da Ambev. Este ano, o montante caiu para R$ 30,2 milhões, uma redução de aproximadamente 29%. Gel Santos, integrante do Bloco do Fuá, relatou a falta de estrutura até mesmo para os grandes blocos e criticou a falta de diálogo com quem faz o carnaval. A deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) endossou as críticas, afirmando que a gestão de Nunes busca vender o carnaval para grandes empresas, limitando a festa popular.
Segurança para Patrocinadores e Eventos Descaracterizados
Juliana Matheus, coordenadora da comissão feminina de carnaval de rua de São Paulo, avalia que a segurança oferecida pelo governo Nunes é voltada para os patrocinadores, e não para as pessoas. Ela descreve a situação como um confinamento de foliões dentro de grades, que, segundo ela, servem para garantir a venda exclusiva de bebidas patrocinadoras, e não para a proteção do público. Matheus também critica eventos como o Bloco Skol, com a presença de Calvin Harris, e o bloco de Ivete Sangalo no Ibirapuera, que utilizam recursos do carnaval para shows que poderiam ocorrer em qualquer época do ano. O Bloco Skol, em particular, causou tumulto na Rua da Consolação, atrasando o Acadêmicos do Baixo Augusta e exigindo atendimento médico devido a quebra de grades.
Recomendação do Ministério Público
Em 10 de janeiro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recomendou ao governo Nunes a liberação do desfile de pequenos blocos no Carnaval de 2026. A orientação foi emitida após uma representação da Bancada Feminista, que alertou sobre blocos impedidos de desfilar por entraves burocráticos impostos pela prefeitura. O MP-SP lembrou que a proibição fere a liberdade de reunião e manifestação, garantida pela Constituição Federal, e que o carnaval é uma manifestação cultural de patrimônio imaterial do povo brasileiro.
Fonte: www.brasildefato.com.br
