Vício e Dívidas Superam Receita Tributária
Apesar da promessa de aumento na arrecadação tributária, a operação das casas de apostas online (bets) tem gerado preocupações significativas devido aos seus impactos sociais. Segundo Iago Montalvão, doutorando em Economia pela Unicamp, os danos causados pelo vício em jogos, que afetam a saúde mental e levam ao endividamento de famílias brasileiras, indicam que a conta não fecha. Ele sugere que a tributação, em vez de incentivar, deveria servir para dissuadir o consumo, o que não está ocorrendo.
Regulamentação Rigorosa ou Proibição
Montalvão defende que o ideal seria a proibição das bets ou, no mínimo, uma regulamentação rigorosa, similar à aplicada ao cigarro. “Medidas mais enérgicas são necessárias porque não se pode justificar algo desse tipo — que tem um impacto tão relevante para a vida das pessoas e também para a economia — em nome da receita tributária”, avalia o economista. Ele ressalta que o mercado foi expandido nos governos anteriores e que o atual governo busca impor limites, como o bloqueio de recursos de empresas ilegais.
Desafios na Fiscalização e Fuga de Capital
O economista destaca a importância de órgãos reguladores para monitorar os fluxos financeiros e o lucro gerado pelo setor. “O grande problema desse setor é entender onde estão os fluxos, quais são os valores, para quem vai o lucro dessas movimentações”, explica. A proibição de empresas sem sede no Brasil foi uma medida para evitar a fuga de recursos, onde apostadores perdiam dinheiro enviado para contas no exterior. O setor movimenta quantias expressivas e possui capacidade de influência política.
Vício como Problema Coletivo, Não Individual
Montalvão alerta que o vício em apostas não é apenas uma questão de escolha individual, mas sim um reflexo de fatores psicológicos e sociais em uma sociedade desigual, que pressionam indivíduos a buscarem formas de renda mais fáceis. As consequências do vício, que afetam não só o apostador, mas também familiares e a economia em geral, configuram um problema coletivo. “É um dinheiro da economia de consumo que está sendo retirado. Então não é um problema individual. Embora de fato ele afete de forma brutal as pessoas [viciadas], em última instância é um problema coletivo”, conclui.
Fonte: www.brasildefato.com.br
