Díaz-Canel Afirma que Reformas Buscam Aperfeiçoar o Socialismo Cubano
Presidente cubano rejeita ‘restauração capitalista’ e defende transformações em meio a crise e bloqueio dos EUA.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou categoricamente que as profundas reformas econômicas e sociais em curso no país visam ao aperfeiçoamento da construção socialista e não a uma ‘restauração capitalista’. A declaração foi feita durante uma entrevista ao veículo de imprensa dominicano Grupo Corripio, a primeira após o anúncio das medidas, que têm gerado debate tanto interna quanto externamente.
O Contexto da Crise e a Necessidade de Transformação
Díaz-Canel enquadrou as reformas no contexto das adversas condições históricas e estruturais que Cuba enfrenta, incluindo uma grave crise econômica com queda acumulada de 15% do PIB nos últimos cinco anos. Ele ressaltou a necessidade de repensar o modelo econômico sem abandonar seus fundamentos socialistas, diante de um ‘bloqueio genocida’ dos Estados Unidos, agora ‘recrudescido com um componente adicional que é o bloqueio energético’. O mandatário questionou como construir o socialismo e manter as conquistas sociais sob tais circunstâncias.
Três Eixos das Reformas e a Inclusão do Setor Privado
O presidente detalhou que as transformações se baseiam em três eixos principais. O primeiro foca na atualização do sistema de direção da economia, buscando um equilíbrio adequado entre centralização e descentralização, e entre planejamento e a movimentação por sinais de mercado. O segundo eixo reafirma a vigência de princípios estratégicos e o planejamento econômico, sem renunciar à essência do modelo cubano, e defende maior autonomia territorial e fortalecimento dos municípios. O terceiro eixo prevê a incorporação do setor privado como ‘parte do sistema empresarial cubano’, composto por componentes estatais, cooperativos e não estatais, todos interconectados em função do desenvolvimento do país.
Rejeição à Intervenção e Defesa das Conquistas Sociais
Díaz-Canel criticou a postura dos Estados Unidos, acusando Washington de desejar uma ‘Cuba totalmente dependente dos Estados Unidos’ e ‘totalmente privatizada’. Ele enfatizou a soberania cubana e a autodeterminação, classificando como ‘insensato’ pensar que a presença militar americana resolveria a situação do país. Ao final, o presidente reafirmou o caráter essencial dos pilares sociais cubanos, como saúde e educação, garantindo que continuarão universais, gratuitas e acessíveis a todos os cidadãos. Segundo ele, uma economia mais forte e produtiva será fundamental para sustentar e ampliar essas conquistas de justiça social.
Fonte: www.brasildefato.com.br
