Ascensão da Extrema Direita e a Responsabilidade da Esquerda
A recente ascensão global da extrema direita, comparada por alguns ao período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, tem suas raízes em um esforço capitalista para a manutenção do poder em tempos de crise. Essa é a análise de Valter Pomar, dirigente do Partido dos Trabalhadores e participante da conferência Saída Pela Esquerda. Segundo ele, apesar de o sistema econômico liberal ser o principal motor desse fenômeno, a própria esquerda carrega uma parcela de responsabilidade.
“O crescimento da extrema direita decorre da acomodação de uma parte da esquerda, aquela que não percebe que, em tempos de crise e guerra, é preciso mudar a chave, é preciso radicalizar”, afirma Pomar. Ele argumenta que onde a esquerda falha em adotar uma postura mais contundente, a extrema direita encontra um terreno fértil para angariar apoio popular.
Lições do Passado e a Necessidade de Apresentar-se como Esquerda
Pomar rejeita a ideia de que a direita possa oferecer lições ao campo progressista, preferindo buscar inspiração em experiências anteriores da própria esquerda. Uma lição fundamental, segundo ele, é que a esquerda obtém vitórias ao se apresentar de forma clara como tal. A adoção de termos como “campo progressista”, na visão do dirigente, pode levar à moderação e ao rebaixamento de propostas, o que seria um caminho para a derrota no cenário político atual.
Esperança como Ferramenta Política Contra o Medo
Em contrapartida à estratégia de “medo” utilizada pela extrema direita, Pomar defende a esperança como principal arma política para a vitória eleitoral. Ele ressalta que, em uma “batalha existencial”, o foco deve estar no futuro e nas transformações a serem propostas, e não apenas na reconstrução do que foi perdido. A falta de um futuro promissor, segundo ele, mina a capacidade de derrotar a ultradireita.
Economia e a Batalha pela Popularidade
Questionado sobre a popularidade do governo Lula, mesmo com bons resultados, Pomar aponta que o foco em “bons resultados” estatísticos pode não ser suficiente. Ele argumenta que a melhora econômica, após anos de dificuldades, não apaga o sofrimento passado. Além disso, fatores como o Marco Fiscal, a política monetária do Banco Central, a sabotagem da classe dominante e conflitos internacionais tendem a ser mais um obstáculo do que um auxílio para a economia no pleito vindouro. A vitória, para Pomar, dependerá essencialmente da força da política e da capacidade de inspirar esperança.
Fonte: www.brasildefato.com.br
