Recorde Cósmico em Velocidade
Astrônomos identificaram um quasar, o núcleo luminoso de uma galáxia distante, que abriga um buraco negro supermassivo expelindo ventos em uma velocidade sem precedentes: 30% da velocidade da luz. Essa marca impressionante, equivalente a cerca de 323 milhões de quilômetros por hora, representa o vento de buraco negro mais rápido já detectado especificamente em comprimentos de onda ultravioleta.
J2318: Um Gigante em Movimento
O objeto em questão, batizado de J2318, possui um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a do Sol, localizado a aproximadamente três bilhões de anos-luz da Terra. Embora sua massa seja considerada típica para um buraco negro supermassivo, a velocidade de seus ventos é extraordinária. Lucas Seaton, líder do estudo e pesquisador da Universidade de York, comparou a velocidade a um “furacão categoria 79”, destacando sua magnitude incomparável com fenômenos terrestres.
A Dinâmica dos Quasares e Seus Ventos
Quasares surgem em galáxias massivas onde buracos negros supermassivos são alimentados por imensas quantidades de gás e poeira, formando discos de acreção. A intensa emissão de fótons desses discos impulsiona o gás a velocidades extremas. No entanto, a remoção de elétrons pelos fótons representa um desafio para a observação, pois torna os átomos invisíveis. Compreender como esses ventos mantêm a integridade dos íons de carbono e silício, permitindo sua detecção, é um dos principais enigmas que os cientistas buscam desvendar.
Ferramentas de Observação e Implicações para a Ciência
Para analisar o fenômeno, a equipe utilizou dados do Sloan Digital Sky Survey (SDSS), que funciona como um prisma cósmico, dispersando a luz de objetos celestes em seus espectros. Esses espectros detalhados de J2318 revelaram os ventos de alta velocidade em ultravioleta. O estudo desses ventos é fundamental para a compreensão da evolução galáctica, pois eles representam a forma como os buracos negros supermassivos interagem energeticamente com suas galáxias hospedeiras. Ao expulsar gás e poeira, esses ventos podem inibir a formação de novas estrelas, influenciando o desenvolvimento da galáxia.
Um Elo Perdido na Evolução Galáctica
Paola Rodríguez Hidalgo, professora associada da Universidade de Washington em Bothell, descreve esses fluxos como um “elo perdido” entre a atividade central de uma galáxia e seu restante. Embora esse mecanismo de feedback seja simulado há décadas, a observação direta de sua magnitude e impacto ainda é um campo ativo de pesquisa. A equipe continuará a busca por ventos de buracos negros ainda mais rápidos, embora reconheçam a dificuldade em superar a marca estabelecida por J2318.
A pesquisa sobre J2318 foi publicada na edição de quinta-feira (4) do The Astrophysical Journal.
Fonte: olhardigital.com.br
