Portugal almeja um lugar de destaque na indústria espacial europeia, com os Açores como principal plataforma de lançamento e reentrada. O país está investindo em tecnologia de ponta, como cápsulas reutilizáveis, e no desenvolvimento de capital humano qualificado para impulsionar o setor.
A Agência Espacial Portuguesa (fundada em 2019) tem como meta ambiciosa colocar 30 satélites em órbita até 2030. Para isso, a estratégia foca em foguetes menores e na formação de engenheiros e técnicos locais. Ricardo Conde, presidente da agência, destaca o potencial dos Açores, com sua localização estratégica no meio do Atlântico, como um diferencial competitivo.
Atlantic Spaceport Consortium: O futuro do lançamento espacial nos Açores
Na ilha de Santa Maria, uma antiga pista de pouso da Segunda Guerra Mundial está sendo transformada no Atlantic Spaceport Consortium (ASC). Esta nova infraestrutura, com foco em foguetes menores e satélites de pequeno porte, visa complementar, e não competir, com grandes centros espaciais europeus. A previsão é que a nave de carga europeia Space Rider realize seu pouso ali em 2028, e um foguete leve um satélite sul-coreano ao espaço em 2030.
Um marco importante será o primeiro pouso de uma cápsula de transporte em águas territoriais da União Europeia. A cápsula Phoenix 2.1, da empresa alemã Atmos Space Cargo, está programada para pousar no Atlântico, próximo a Santa Maria, no segundo semestre de 2026. Marta Oliveira, cofundadora da Atmos Space Cargo, ressaltou a aprovação das autoridades portuguesas e a facilidade logística que o ASC oferece.
Produção nacional de satélites impulsiona a indústria
Paralelamente ao avanço da infraestrutura de lançamento, Portugal está investindo na fabricação de seus próprios satélites. Três centros de desenvolvimento estão em construção: um no Porto (consórcio CEiiA), outro em Coimbra (Open Cosmos) e um terceiro em Lisboa, com um foco específico em aplicações militares. Esses satélites, de porte pequeno a médio (até 500 quilos), atenderão a diversas necessidades, incluindo comunicações, monitoramento oceânico e combate a incêndios florestais.
Capital humano e parcerias estratégicas para a conquista espacial
O presidente da Agência Espacial Portuguesa enfatiza a importância da formação de engenheiros de excelência e a criação de capital humano qualificado. Atualmente, cerca de 80 empresas do setor espacial empregam aproximadamente duas mil pessoas e geraram 200 milhões de euros em receita no último ano. A meta de 30 satélites em órbita até 2030, alguns em cooperação com a Espanha, demonstra a ambição do país em se tornar um ator relevante na nova era espacial, atraindo parceiros internacionais e participando ativamente de iniciativas europeias, inclusive na área de defesa.
Fonte: olhardigital.com.br
